O livro “Conselhos sobre o trabalho intelectual” de Louis Riboulet é um ótimo livro para ser lido por qualquer um que tenha o desejo de ter uma vida de estudos. Em seus 16 capítulos, o livro está repleto de conselhos sistematizados na bela prosa de Riboulet, que provavelmente juntou uma enorme quantia de fichas com os conselhos e hábitos de outros intelectuais, para então montar este livro (algo muito provável, se não certo, pois a prática da confecção de fichas está entre os seus conselhos).
“[o ideal] regula e dirige as ações; reanima, embeleza e transforma até os mais pequenos detalhes da vida” p. 17
O primeiro conselho dado por Riboulet é o de ter um ideal nobre e por ele trabalhar todos os dias, pois “os pensamentos mais nobres jorram de um coração profundamente enamorado do belo e do bem”, e o serviço deste ideal, se torna um meio de fortalecimento da temperança e “um princípio de ordem”.
“Após haver determinado este ideal, contempla-o longamente; deixa-te inundar por sua luz e impregnar por seu calor” p. 15
O trabalho constante e a renovação do compromisso tomado em prol deste ideal, que deve servir as causas justas – mesmo se impossíveis – é outro ponto frisado pelo autor. Riboulet considera as dificuldades como a “têmpera das almas”, formadoras da inteligência, do caráter, da sensibilidade e da vontade; um estímulo a ação, que nos preservam do orgulho e da vã complacência, bem como um corretor para quando estamos seguindo por um caminho errado.
“O desenvolvimento harmonioso das faculdades é facilitado por certas disposições e hábitos.” p. 124
E atráves do estudo, o caráter é aperfeiçoado, graças a adoção de hábitos necessários ao estudo, como o hábito da pontualidade, o hábito da regularidade, o hábito da constância, o hábito da perseverança, o hábito de ser observador e o hábito de julgar de acordo princípios e conhecimento de causa.
“Luta, pois, com energia contra as inclinações peversas da tua natureza.” p. 264
O estudo constante leva-nos a querer se afastar do mal, já que a desordem na alma dificulta o trabalho e é pelo mal nela introduzido. Graças ao estudo, se produz no espírito a distinção dos atos, atos que só poderão ser nobres se partirem de desejos nobres, que por sua vez advém de pensamentos nobres.
“(…) desconfia de tua própria sabedoria; não te apresses para exprimir teus juízos. cultiva a paixão pela verdade, e aceita-a venha donde vier.” p. 132
O livro é uma leitura agradável que trará ao leitor estas e outros reflexões sobre a vida de estudos, e como ela está intriscicamente ligada ao desenvilvimento moral, algo imprescindivel para se ter um correto desenvolvimento intelectual.
