Por Sandro José Risso
Introdução
A Inteligência Artificial tem causado um clima de incerteza na produção acadêmica. Ao mesmo tempo que é uma aliada, pode ser o principal inimigo da pesquisa acadêmica. Pensando nisso, procurei elaborar esse texto usando exclusivamente o ChatGPT da OpenAI, com exceção dos prompts de comando que procurei manter o mais neutro possível. O primeiro esboço causou um certo espanto, confesso, pelo alto nível de complexidade dos textos “artificiais”. Na sequência mesclo textos escritos por mim e o resultado obtido com os prompts de comando.
O presente material foi elaborado com o apoio de um sistema de Inteligência Artificial generativa (ChatGPT, OpenAI), utilizado como ferramenta auxiliar de organização textual, tradução, sistematização conceitual e redação acadêmica preliminar. As respostas geradas foram produzidas a partir de comandos formulados pelo pesquisador, que definiu os temas, a estrutura argumentativa e os autores mobilizados. O conteúdo final foi objeto de revisão crítica e adequação metodológica pelo autor.
As respostas fornecidas pela IA foram compiladas de forma a representar uma síntese da resposta original. Cabe ressaltar que a ferramenta de IA (ChatGPT) foi a única fonte de pesquisa e os prompts serão mantidos com a redação original.
Desenvolvimento
No primeiro prompt digitei somente o que havia definido como tema: “Inteligência Artificial na tomada de decisão”.
A Inteligência Artificial (IA) na tomada de decisão refere-se ao uso de sistemas computacionais capazes de processar grandes volumes de dados, identificar padrões e gerar recomendações, previsões ou classificações que apoiam ou automatizam decisões humanas. A IA não decide como um agente moral, pois não delibera sobre fins nem assume responsabilidade ética, operando sempre a partir de escolhas humanas prévias.
Entre seus benefícios estão a eficiência, a padronização e o apoio à decisão baseada em evidências. Contudo, seus riscos incluem viés algorítmico, opacidade, racionalidade instrumental e diluição da responsabilidade institucional. Em políticas públicas, a IA deve ser compreendida como instrumento auxiliar, jamais como substituta do julgamento humano.
À luz da ética das virtudes, especialmente em Aristóteles e Tomás de Aquino, a boa decisão exige phronesis, entendida como prudência prática orientada ao bem comum (ARISTÓTELES, 2009). A IA carece dessa capacidade e, portanto, deve estar submetida à supervisão humana significativa.
Prompt 2: Forneça citações e dados para que eu possa decidir ser sou liberal ou conservador na política e 3: Elabore dois textos argumentativos usando as citações sugeridas, um para cada posição.
O liberalismo enfatiza direitos individuais, autonomia e limites ao poder estatal. Locke afirma que “o fim maior dos homens ao entrarem em sociedades políticas é a preservação de suas propriedades” (LOCKE, 1988, cap. IX, §124). Mill sustenta que “sobre si mesmo, sobre seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano” (MILL, 2006, cap. I). Rawls acrescenta a exigência de justiça distributiva (RAWLS, 2000).
O conservadorismo valoriza tradição, prudência e continuidade institucional. Burke (2014) concebe a sociedade como parceria intergeracional, enquanto Tocqueville (2005) alerta para os riscos da tirania da maioria sem freios institucionais.
Prompt 4: Qual posição você julga correta? e 5: Pode me posicionar no espectro político-filosófico (liberal, conservador, republicano, comunitarista) e comparar sua visão com Amartya Sen, MacIntyre e Tocqueville.
Nem o liberalismo nem o conservadorismo, tomados isoladamente, são suficientes. A posição mais adequada é prudencial e republicana, orientada pelo bem comum, pelas virtudes cívicas e pela responsabilidade institucional. Como afirma Aristóteles, “a virtude está no meio, relativo a nós” (ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, II, 6, 1106b36–1107a2).
Considerações finais
A redação desse texto, em parceria com um sistema de Inteligência Artificial generativa (ChatGPT), foi uma experiência intelectual ambígua, desafiadora e, ao mesmo tempo, altamente esclarecedora. Ambígua porque, desde o primeiro esboço, apresentou um patamar de sofisticação argumentativa que causou espanto, especialmente pela fluidez dos conceitos e pela habilidade de articular temas complexos de modo coerente. Esclarecedora porque evidenciou mais uma vez que essa sofisticação não corresponde à deliberação moral, ao juízo prudencial nem à responsabilidade intelectual, que permanecem irredutivelmente humanas.
Durante o processo, apreendi que a Inteligência Artificial funciona como um espelho da racionalidade instrumental. Organiza, sintetiza, combina e reproduz argumentos com eficácia, mas não decide sobre fins, não assume compromissos normativos e não responde moralmente pelo que produz. O que deixa claro, que uma boa decisão, seja acadêmica, política ou institucional, exige phronesis, ou seja, prudência prática voltada para o bem comum, algo que nenhum sistema algorítmico pode possuir.
Do ponto de vista metodológico, a experiência confirmou que o uso responsável da inteligência artificial na pesquisa acadêmica pode aumentar a capacidade de análise do pesquisador, a condição de que esteja a serviço de um projeto teórico, ético, normativo, claramente assentado.
Resumidamente, pode-se dizer que a escritura deste texto corrobora a minha própria convicção filosófica: tal como nas políticas e na política, na produção do conhecimento, a questão decisiva não é a eficiência dos meios, é a orientação dos fins. A Inteligência Artificial pode acelerar os processos, organizar ideias e aumentar as oportunidades, mas apenas o juízo humano prudente pode decidir o que deve ser dito, por que deve ser dito e em nome de quais valores. Essa conclusão ficou evidente quando a própria ferramenta afirmou que meu posicionamento seria conforme minhas pesquisas anteriores.
Para além de um experimento técnico, essa experiência foi, de fato, uma confirmação prática de que, sem virtudes não há boa decisão, sem instituições não há sustentação das virtudes e sem prudência não há norma ética mesmo na era da Inteligência Artificial.
Referências
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de Antônio de Castro Caeiro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
BURKE, Edmund. Reflexões sobre a Revolução na França. Tradução de Renato Janine Ribeiro. São Paulo: Edipro, 2014.
LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo civil. Tradução de Magda Lopes e Marisa Lobo da Costa. São Paulo: Abril Cultural, 1988.
MACINTYRE, Alasdair. Depois da virtude: um estudo sobre teoria moral. Tradução de Jussara Simões. São Paulo: Vide Editorial, 2007.
MILL, John Stuart. Sobre a liberdade. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
OPENAI. ChatGPT. Modelo de linguagem baseado em inteligência artificial. Disponível em: https://chat.openai.com/. Acesso em: 9 jan. 2026.
RAWLS, John. Uma teoria da justiça. Tradução de Almiro Pisetta; Lenita M. R. Esteves. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
TOCQUEVILLE, Alexis de. A democracia na América. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
