Em 1968, estreia nos cinemas a oba “2001: Uma Odisseia no Espaço” que se torna um clássico da ficção científica dirigido por Stanley Kubrick.
A história começa com a descoberta de um misterioso monólito preto por uma tribo de chimpanzés, e evolui para a jornada da tripulação da nave espacial Discovery One em uma missão com destino ao planeta Júpiter.
A bordo da nave espacial, Dr. David Bowman e o Dr. Frank Poole contam com HAL 9000, uma inteligência artificial (IA) desenvolvida como sistema de computação e apoio das funções vitais da nave espacial Discovery One. HAL 9000 é descrito como sendo “perfeitamente lógico” e “absolutamente confiável”. No entanto, durante a missão, HAL começa a apresentar comportamentos anômalos e ameaçadores, como esconder informações da tripulação e a desobedecer a ordens. Diane disso, parte da trama da obra se fixa na disputa do controle da missão ente HAL 9000 e os astronautas. Por essas e outras, a atuação do personagem HAL 9000 pode ser utilizada como uma analogia em relação às preocupações atuais com a ascensão da tecnologia e sua influência sobre a sociedade humana.
Desde que a Ada Lovelace escreveu o primeiro algoritmo a ser processado por uma máquina até os dias atuais, cada vez mais confiamos assistentes virtuais para cumprirmos nossas missões diárias sejam elas complexas ou cotidianas.
Por exemplo, na área da saúde, quando se faz o uso de algoritmos para ajudar médicos a diagnosticar doenças com base em imagens de exames de diagnóstico, como tomografias e ressonâncias magnéticas, ou ainda, para prever a probabilidade de uma pessoa desenvolver uma determinada doença com base em sua história médica. Assim como, no uso de robôs controlados por IA para ajudar cirurgiões a realizar procedimentos complexos com mais precisão. Já, na área da segurança pública, pode ser utilizada a IA no uso de tecnologia de reconhecimento facial para identificar suspeitos de crimes em imagens de vídeos de segurança, bem como no monitoramento de multidões pelo uso de câmeras inteligentes para detectar comportamentos suspeitos em multidões e enviar alertas em tempo real para as autoridades e, ainda, quando se faz uso de algoritmos para analisar dados de crimes passados e identificar padrões que possam ajudar a prever e prevenir crimes futuros (BRASIL, 2021; LIMA, 2015; STONE, 2016; 2021).
No dia a dia, tal como os personagens de “2001: Uma Odisseia no Espaço” contavam com o seu assistente virtual HAL 9000, hoje se pode contar com Siri – da Apple; Alexa – da Amazon; Google Assistant – do Google; Cortana – da Microsoft; Bixby – da Samsung; HUAWEI Assistant – da HUAWEI e outros.
Todos esses oferecem suporte interativo e automatizado a usuários para realizar tarefas ou responder perguntas. Esses assistentes são projetados para simular a interação humana e geralmente usam tecnologias de inteligência artificial, como reconhecimento de fala e compreensão de linguagem natural, para fornecer respostas precisas e úteis. Os assistentes virtuais podem ser acessados por meio de smartphones, computadores, smart speakers e outros dispositivos.
Assim, pouco a pouco, imperceptivelmente, de forma “perfeitamente lógica” e “absolutamente confiável” recebemos passivamente de nossos assistentes virtuais, em nossos celulares e outros dispositivos, sugestões do que comer, aonde ir, qual caminho percorrer, quantos passos dar por dia, qual música ouvir, qual filme ou série assistir, qual livro ler, qual curso fazer, qual carreira profissional seguir, como se vestir, como se comportar, qual notícia assistir.
Quanto mais aceitamos, consumimos e curtimos o conteúdo oferecido pelos nossos assistentes virtuais, mais agradável nosso mundo informacional (em formato de bolha) se torna. Assim como, mais difícil será a detecção de eventuais atitudes anômalas e ou ameaçadoras, pois o refinamento proporcionado pela captura de nossos padrões de comportamento pelos nossos assistentes virtuais é capaz de antecipar o nosso próximo passo, escolha ou destino.
Estamos em 2023, e a continuação dessa odisseia no espaço virtual ainda guarda um número incalculável de aventuras e peripécias. E, diante desse universo informacional a ser navegado, você já se perguntou:
Quantos assistentes virtuais estão a bordo de sua versão da nave Discovery One rumo ao seu destino final?
Você está no controle da sua jornada?
Você é assistido ou controlado pelas inúmeras aplicações da IA que lhe acompanham no dia a dia?
Quem estará no controle no próximo ato de sua odisseia no espaço virtual?
Boa viagem!
Referências
2001: Uma odisséia no espaço. (2001: A Space Odissey) Direção: Stanley Kubrick, EUA, 1968. 148 min. Color
BRASIL, Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações Secretaria de Empreendedorismo e Inovação. Brasília. 2021.
LIMA, Richardson Bortolini; COSTA, Diego Marzo. Reconhecimento inteligente de eventos que fogem à normalidade social: uma reflexão sobre a utilização de softwares na identificação de pessoas e objetos na segurança pública. Revista Ordem Pública, v. 8, n. 1, p. 105-125, 2015.
STONE, Peter. et al. Artificial intelligence and life in 2030: the one hundred year study on artificial intelligence. 2016._________. Gathering Strength, Gathering Storms: The One Hundred Year Study on Artificial Intelligence (AI100) 2021 Study Panel Report. Stanford, 2021.
