{"id":5205,"date":"2025-10-13T15:58:25","date_gmt":"2025-10-13T18:58:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.admethics.com\/?p=5205"},"modified":"2025-10-13T16:04:25","modified_gmt":"2025-10-13T19:04:25","slug":"the-mediation-between-stoic-virtue-and-humean-utility-contributions-from-adam-smith","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/the-mediation-between-stoic-virtue-and-humean-utility-contributions-from-adam-smith\/2025\/","title":{"rendered":"A Media\u00e7\u00e3o Entre a Virtude Estoica e a Utilidade Humeana: Contribui\u00e7\u00f5es de Adam Smith"},"content":{"rendered":"\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><em>Renana Biana da Silva<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Smith, de modo geral, reconheceu a import\u00e2ncia moral de ambas as vis\u00f5es (virtude estoica e utilidade humeana), contudo, n\u00e3o deixou de pontuar as fragilidades demonstradas por cada uma, buscando fomentar a utiliza\u00e7\u00e3o de um novo princ\u00edpio, que pudesse conciliar a virtude cl\u00e1ssica, com a necessidade de se considerar o \u201camor-pr\u00f3prio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A teoria da virtude, associada aos estoicos e a pensadores cl\u00e1ssicos como Plat\u00e3o, define a virtude como a busca pela excel\u00eancia, algo que se eleva \u201cacima do vulgar\u201d. Essa busca exige, por certo, autodom\u00ednio (subordina\u00e7\u00e3o de medos e desejos) e for\u00e7a interior (fortitude), sendo frequentemente associada \u00e0 guerra e \u00e0 \u201cmagnanimidade\u201d que ela demandava.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora Smith elogiasse esse ideal, deslocado da totalidade da teoria, ele n\u00e3o deixou de perceber sua limita\u00e7\u00e3o quando aplicado a um sistema pol\u00edtico, uma vez que o sistema pol\u00edtico baseado na virtude seria incompat\u00edvel com as ideias liberais e indiferente ao crescimento econ\u00f4mico. Fil\u00f3sofos antigos, como Plat\u00e3o, opunham-se ao progresso comercial por temerem que os valores do com\u00e9rcio enfraquecessem o \u201cesp\u00edrito militar dos cidad\u00e3os\u201d. Alega Smith que, para inculcar universalmente uma alta virtude, o sistema teria que ser autorit\u00e1rio e violento, mediante a necessidade de imposi\u00e7\u00e3o da conformidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Smith via a busca pela virtude como um caminho que possu\u00eda como fim \u00faltimo a perfei\u00e7\u00e3o, em que pese reconhecesse que essa busca n\u00e3o era, ou era raramente percorrida at\u00e9 o fim. Para ele, a virtude deveria ser um ideal a ser alcan\u00e7ado individualmente, e n\u00e3o um princ\u00edpio norteador de um sistema pol\u00edtico (coletivo).<\/p>\n\n\n\n<p>Em contraste, David Hume formulou a teoria da utilidade como a \u201cassinatura filos\u00f3fica do mundo moderno\u201d. Para Hume, a virtude \u00e9 um c\u00e1lculo que busca a \u201cmaior felicidade\u201d. Sua filosofia era humanista, e se propunha a reorientar a sociedade para a vida cosmopolita e comercial, sem deixar de privilegiar o progresso, as artes e a ci\u00eancia, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 virtude moral estoica.<\/p>\n\n\n\n<p>Importa dizer que Smith simpatizava com a abordagem de Hume no que tange ao crescimento econ\u00f4mico, todavia n\u00e3o apreciava o que considerava como o \u201cniilismo espiritual\u201d, impl\u00edcito na teoria da utilidade, o que a tornava [teoria da utilidade] uma filosofia incompleta e ao mesmo tempo insuficiente para explicar o comportamento humano, ou seja, vazia quando tratada como uma quest\u00e3o de subst\u00e2ncia, pois n\u00e3o conseguia explicar por que as pessoas agem como agem.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescenta Smith que a teoria da utilidade n\u00e3o consegue explicar o amor, os la\u00e7os sociais, ou porque as pessoas n\u00e3o s\u00e3o inteiramente ego\u00edstas. Smith argumentava que Hume negligenciava a exist\u00eancia de um \u201chomem interior\u201d ou a \u201cconsci\u00eancia\u201d que atua como juiz de nossa conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>No intento de buscar o caminho do meio entre a teoria estoica das virtudes (autodom\u00ednio) e a teoria da utilidade (c\u00e1lculo), Smith prop\u00f5e a \u201cfilosofia do meio-termo\u201d, entre a consci\u00eancia e a simpatia.<\/p>\n\n\n\n<p>A simpatia, interpretada por Smith como princ\u00edpio natural que desperta nosso interesse pelos destinos dos demais indiv\u00edduos, como a fonte original da modera\u00e7\u00e3o e da \u201ccorrespondente afei\u00e7\u00e3o do espectador\u201d; a consci\u00eancia como impulso capaz de direcionar os indiv\u00edduos para o que \u00e9 \u201chonroso e nobre\u201d, bem como para a busca de uma \u201csuperioridade de car\u00e1ter\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, a moralidade (Teoria dos sentimentos morais), para Smith, n\u00e3o \u00e9 guiada puramente pelo amor-pr\u00f3prio ou pela benevol\u00eancia, separadamente, no entanto, pelo aux\u00edlio do \u201cgrande juiz e \u00e1rbitro de nossa conduta\u201d que reside em nosso peito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FITZGIBBONS, Atholl N. <strong>Adam Smith\u2019s system of liberty, wealth, and virtue<\/strong>. Oxford: Clarendon Press, 1995. (cap. 4)<\/p>\n\n\n<p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renana Biana da Silva Smith, de modo geral, reconheceu a import\u00e2ncia moral de ambas as vis\u00f5es (virtude estoica e utilidade humeana), contudo, n\u00e3o deixou de pontuar as fragilidades demonstradas por cada uma, buscando fomentar a utiliza\u00e7\u00e3o de um novo princ\u00edpio, que pudesse conciliar a virtude cl\u00e1ssica, com a necessidade de se considerar o \u201camor-pr\u00f3prio\u201d. 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