{"id":458,"date":"2018-05-21T20:38:39","date_gmt":"2018-05-21T23:38:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.admethics.com\/?p=458"},"modified":"2021-02-23T15:35:05","modified_gmt":"2021-02-23T18:35:05","slug":"the-virtues-in-the-individual-strengths-of-character","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/the-virtues-in-the-individual-strengths-of-character\/2018\/","title":{"rendered":"A virtuosidade nas for\u00e7as de car\u00e1ter"},"content":{"rendered":"<p>Sempre que algum esc\u00e2ndalo como a corrup\u00e7\u00e3o de membros de algum \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico ou um esc\u00e2ndalo financeiro advindo de alguma empresa ocorre, quest\u00f5es acerca da \u00e9tica emerge novamente ao debate p\u00fablico. Falta de car\u00e1ter, falta de virtude, empresa anti\u00e9tica, etc, s\u00e3o quest\u00f5es debatidas, mas que muitas vezes ficam sem solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas afinal, o que de fato s\u00e3o esses conceitos? Ser virtuoso seria a mesma coisa que ter car\u00e1ter? O que significa ter car\u00e1ter?<\/p>\n<p>Em 2007 os pesquisadores Thomas A. Wright e Jerry Goodstein buscaram caracterizar o que seria ter for\u00e7a de car\u00e1ter e qual a sua rela\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o com a virtude. Para esses pesquisadores, definir car\u00e1ter n\u00e3o \u00e9 uma coisa t\u00e3o simples como se pensa e que sobre este assunto, diversos estudiosos j\u00e1 haviam se debru\u00e7ado ao longo de quase um s\u00e9culo. Wright e Goodstein descrevem que muitas vezes \u201cter for\u00e7a de car\u00e1ter\u201d e \u201cser virtuoso\u201d s\u00e3o usados como termos intercambi\u00e1veis e que assim, causam confus\u00e3o em raz\u00e3o de sua n\u00e3o conceptualiza\u00e7\u00e3o correta.<\/p>\n<p>Virtude \u00e9 um tema j\u00e1 discutido desde os fil\u00f3sofos cl\u00e1ssicos, como Arist\u00f3teles, por exemplo. \u00c9 um assunto que tem sido revisado e debatido ao longo dos s\u00e9culos, como na idade m\u00e9dia com Tomas de Aquino, bem como na contemporaneidade com Alasdair MacIntyre em um de seus livros mais conhecidos chamado \u201cAfter virtue\u201d de 1981.<\/p>\n<p>Em 2004 os pesquisadores Christopher Peterson e Martin E. P. Seligman por meio de uma pesquisa hist\u00f3rica listam seis categorias de virtudes que constantemente emergem da literatura, as quais s\u00e3o: sabedoria, coragem, humanidade, justi\u00e7a, temperan\u00e7a e transcend\u00eancia. Assim, os pesquisadores especulam que todas essas virtudes devem estar presentes acima dos valores limite para um indiv\u00edduo ser considerado de bom car\u00e1ter (Peterson e Seligman, 2004, p.13). Neste sentido, buscam descrever a for\u00e7a de car\u00e1ter sob essas seis virtudes, pois para eles, mensurar a virtude \u00e9 algo muito abstrato e geral.<\/p>\n<p>Wright e Goodstein (2007, p.932) descrevem que as for\u00e7as do car\u00e1ter s\u00e3o os ingredientes psicol\u00f3gicos &#8211; processos ou mecanismos &#8211; que definem as virtudes. Por exemplo, a virtude da coragem pode ser alcan\u00e7ada atrav\u00e9s de for\u00e7as de car\u00e1ter como persist\u00eancia, integridade e o que eles chamam de vitalidade ou entusiasmo &#8211; aproximando a vida com entusiasmo e energia. Assim, definem o car\u00e1ter da seguinte forma:<\/p>\n<p><i>\u201cnos definimos o car\u00e1ter como aquelas qualidades habituais interpenetr\u00e1veis dentro dos indiv\u00edduos, e aplic\u00e1veis a organiza\u00e7\u00f5es que as limitam e as levam a desejar e buscar o bem pessoal e social\u201d <\/i>(Wright e Goodstein 2007, p.932).<\/p>\n<p>Baseado nos trabalhos de Peterson e Seligman e de Wright e Goodstein, \u00e9 poss\u00edvel entender que a virtude \u00e9 composta por for\u00e7as de car\u00e1ter, assim, para a virtude Sabedoria, requer-se for\u00e7as de car\u00e1ter como Criatividade, Curiosidade, Mente Aberta e Amor ao Aprendizado, por exemplo. Para virtude de Temperan\u00e7a, for\u00e7as de car\u00e1ter como, Perd\u00e3o e Miseric\u00f3rdia, Humildade e Mod\u00e9stia, Prud\u00eancia e Autocontrole s\u00e3o necess\u00e1rias. A figura 1, busca sintetizar a ideia apresentada pelos pesquisadores Peterson e Seligman.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-464 size-full\" src=\"http:\/\/www.admethics.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Captura-de-tela-de-2018-05-22-11-50-27.png\" alt=\"\" width=\"746\" height=\"457\" srcset=\"https:\/\/www.admethics.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Captura-de-tela-de-2018-05-22-11-50-27.png 746w, https:\/\/www.admethics.com\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Captura-de-tela-de-2018-05-22-11-50-27-300x184.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 746px) 100vw, 746px\" \/><\/p>\n<p>Neste sentido, os autores (Wright e Goodstein) destacam que em um contexto de disciplina moral, o car\u00e1ter, mais do que a virtude pressup\u00f5e fornecer indiv\u00edduos com um bar\u00f4metro moral mais espec\u00edfico, assim, este bar\u00f4metro \u00e9 fundamental para ajudar a monitorar o comportamento real, ou seja, usando o exemplo acima, a prud\u00eancia e o autocontrole refor\u00e7a a necessidade da temperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Assim, ser virtuoso requer for\u00e7as de car\u00e1ter. Indiv\u00edduos em ambientes de disciplina moral ajudar\u00e3o a refor\u00e7ar a necessidade de virtude, seja em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos quanto em empresas privadas.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>Peterson, C., &amp; Seligman, M. E. P. 2004. Character strengths and virtues: A handbook and classification. New York: Oxford University Press\/Washington, DC: American Psychological Association<\/p>\n<p>Wright, T.A., &amp; Goodstein, J. 2007. Character is not &#8220;dead&#8221; in management research: A review of individual character and organizational-level virtue. Journal of Management, 33: 928-958.<\/p>\n<p><em>As vis\u00f5es e opini\u00f5es expressadas nos artigos s\u00e3o as dos autores e n\u00e3o refletem necessariamente a Pol\u00edtica oficial ou posi\u00e7\u00e3o do grupo AdmEthics<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre que algum esc\u00e2ndalo como a corrup\u00e7\u00e3o de membros de algum \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico ou um esc\u00e2ndalo financeiro advindo de alguma empresa ocorre, quest\u00f5es acerca da \u00e9tica emerge novamente ao debate p\u00fablico. Falta de car\u00e1ter, falta de virtude, empresa anti\u00e9tica, etc, s\u00e3o quest\u00f5es debatidas, mas que muitas vezes ficam sem solu\u00e7\u00e3o. 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