{"id":4474,"date":"2024-02-01T16:00:00","date_gmt":"2024-02-01T19:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.admethics.com\/?p=4474"},"modified":"2024-01-25T16:48:23","modified_gmt":"2024-01-25T19:48:23","slug":"moral-judgments","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/moral-judgments\/2024\/","title":{"rendered":"Ju\u00edzos Morais"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma das tarefas mais importantes para a \u00e9tica \u00e9 o julgamento moral dos atos individuais. O ju\u00edzo moral seria algo simples se houvessem padr\u00f5es objetivos e facilmente compreens\u00edveis que pudessem ser utilizados. Na sua aus\u00eancia, alguns aspectos precisam ser considerados para auxiliar a pessoa ao julgar moralmente tanto suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es quanto as das demais. A lista abaixo n\u00e3o pretende ser exaustiva, tampouco se constitui em um guia de a\u00e7\u00e3o, mas esclarece alguns conceitos \u00fateis, e se baseia nos trabalhos de Alasdair MacIntyre e Jaime Balmes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em primeiro lugar, deve-se considerar o&nbsp;<strong>agente moral<\/strong>&nbsp;em si. A \u00e9tica \u00e9 um produto da raz\u00e3o humana, portanto, o agente moral precisa ser uma pessoa com plena capacidade de refletir e compreender o que est\u00e1 envolvido, uma pessoa que tenha condi\u00e7\u00f5es de formular alternativas de a\u00e7\u00e3o, analisar criticamente cada uma delas e tomar uma decis\u00e3o aut\u00f4noma em rela\u00e7\u00e3o ao que fazer. Diretamente associada \u00e0 raz\u00e3o, neste caso, est\u00e1 a&nbsp;<strong>autonomia<\/strong>. O agente moral precisa ser livre para fazer uma escolha, e essa escolha deve ser ditada pela sua pr\u00f3pria raz\u00e3o e n\u00e3o determinada por terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, \u00e9 preciso que exista uma concep\u00e7\u00e3o do&nbsp;<strong>bem&nbsp;<\/strong>devidamente articulada. O bem se manifesta de duas formas na a\u00e7\u00e3o humana, uma delas substantiva, que \u00e9 intr\u00ednseca \u00e0 a\u00e7\u00e3o em si \u2013 ou seja, existem a\u00e7\u00f5es que podem ser consideradas intrinsecamente boas porque realizam algo que permite o florescimento humano \u2013 e outra instrumental, em que se verifica se o resultado \u00e9 bom para o agente e\/ou as pessoas ao seu redor. Assim sendo, uma a\u00e7\u00e3o em que a virtude da caridade seja praticada pode ser considerada intrinsecamente boa, trazendo um bem ao agente que pode ser descrito como algo que o torna melhor do que seria se n\u00e3o o praticasse (ou seja, ele&nbsp;<strong>\u00e9&nbsp;<\/strong>melhor por agir assim), ao passo que uma a\u00e7\u00e3o como dar a um mendigo uma esmola maior do que a dos amigos d\u00e3o para granjear sua admira\u00e7\u00e3o produz um resultado bom para o recipiente e torna admir\u00e1vel o doador \u2013 mas ela foi pensada para gerar esse bem, n\u00e3o por ser boa em si. O aspecto mais importante \u00e9 que essa concep\u00e7\u00e3o do bem possa ser apresentada e racionalmente defendida, ou seja, \u00e9 poss\u00edvel argumentar em seu favor e defend\u00ea-la perante as alternativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento essencial \u00e9 o&nbsp;<strong>contexto<\/strong>&nbsp;da a\u00e7\u00e3o. O agente moral deve ser uma pessoa dotada de informa\u00e7\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es da situa\u00e7\u00e3o que vivencia, ou seja, deve ter conhecimento (ainda que imperfeito) sobre o que est\u00e1 envolvido naquela situa\u00e7\u00e3o, e, sendo racional, deve ser capaz de compreend\u00ea-la. Uma a\u00e7\u00e3o empreendida em um contexto em que nenhuma alternativa era poss\u00edvel precisa ser avaliada de maneira distinta daquelas em que outras possibilidades de agir se apresentam ao agente. Por exemplo, em um combate, um soldado que avance contra o inimigo, com forte risco de morte, poderia ser moralmente avaliado por meio da virtude da coragem \u2013 mas se ele o faz porque recebeu ordens para tanto, estaria apenas exercendo a obedi\u00eancia. O agente deve ter conhecimento do contexto para decidir como agir \u2013 e esse conhecimento \u00e9 tamb\u00e9m crucial para quem julga moralmente a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ju\u00edzo moral, dessa forma, deve ser feito considerando-se que uma a\u00e7\u00e3o foi empreendida pelo julgador ou por outra pessoa, de maneira racional, aut\u00f4noma e suficientemente informada, e essa a\u00e7\u00e3o visava a produzir um bem que pode ser definido, discutido e defendido, sempre considerando-se em que situa\u00e7\u00e3o a a\u00e7\u00e3o se deu. Veja-se que n\u00e3o se falou aqui da&nbsp;<strong>motiva\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;do agente, simplesmente porque se considera que o motivo de qualquer a\u00e7\u00e3o, eticamente falando, \u00e9 o bem. \u00c9 verdade que, se uma a\u00e7\u00e3o \u00e9 intrinsecamente boa, o contexto n\u00e3o importa para definir se ela \u00e9 \u00e9tica, mas sempre se pode questionar se \u00e9 poss\u00edvel realiz\u00e1-la naquele momento e lugar. Ao julgar moralmente uma a\u00e7\u00e3o, \u00e9 essencial ter elementos que permitam compreender o que foi feito e porque foi feito, e a pequena lista apresentada aqui fornece um ponto de partida.Mas, antes de terminar, uma ressalva: se voc\u00ea estiver julgando a a\u00e7\u00e3o de outra pessoa, \u00e9 importante discutir o ju\u00edzo que est\u00e1 formando com ela, pois novas informa\u00e7\u00f5es podem jogar luz sobre o que ocorreu. Mas, mesmo que n\u00e3o surjam novas informa\u00e7\u00f5es, o di\u00e1logo \u00e9 sempre um aprendizado \u2013 e a \u00e9tica envolve aprender a viver para alcan\u00e7ar (e fazer) o bem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das tarefas mais importantes para a \u00e9tica \u00e9 o julgamento moral dos atos individuais. O ju\u00edzo moral seria algo simples se houvessem padr\u00f5es objetivos e facilmente compreens\u00edveis que pudessem ser utilizados. 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