{"id":4403,"date":"2023-12-01T20:52:15","date_gmt":"2023-12-01T23:52:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.admethics.com\/?p=4403"},"modified":"2024-02-24T03:59:56","modified_gmt":"2024-02-24T06:59:56","slug":"the-complexity-of-governance-in-artificial-intelligence-ai-based-on-the-approaches-of-morin-2003-and-kuhn-1987","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/the-complexity-of-governance-in-artificial-intelligence-ai-based-on-the-approaches-of-morin-2003-and-kuhn-1987\/2023\/","title":{"rendered":"A Complexidade da Governan\u00e7a na Intelig\u00eancia Artificial (IA) a partir das Abordagens de Morin (2003) e Kuhn (1987)"},"content":{"rendered":"\n<p>O fen\u00f4meno da fragmenta\u00e7\u00e3o do conhecimento, cujas ra\u00edzes remontam ao cartesianismo, culminou em observa\u00e7\u00f5es parciais acerca do pr\u00f3prio conhecimento. Nesse sentido, teorias do saber que seriam capazes de resolverem problemas consider\u00e1veis da humanidade n\u00e3o podem se limitar a trat\u00e1-las separadamente, tampouco a partir do mero ac\u00famulo de saberes, mas atrav\u00e9s da transforma\u00e7\u00e3o de seus princ\u00edpios e da observa\u00e7\u00e3o multidimensional da realidade (MORIN, 2003).<\/p>\n\n\n\n<p>Morin (2003) argumenta que a sociedade moderna \u00e9 composta por uma s\u00e9rie de problemas resultantes de pensamentos simples, parciais e fragmentados, de modo que disciplinas acad\u00eamicas demonstram-se incapazes de criarem conex\u00f5es e correla\u00e7\u00f5es entre os elementos. Nesse contexto, o referido autor alerta para a emerg\u00eancia da ci\u00eancia em priorizar uma abordagem que interligue conceitos e elementos dos sistemas, uma vez que a realidade n\u00e3o constitui-se de modo simples, mas de forma multidimensional e complexa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma perspectiva similar \u00e0 de Morin (2003), Khun (1987) enfatiza que o desenvolvimento cient\u00edfico se d\u00e1 atrav\u00e9s da supera\u00e7\u00e3o de paradigmas, que s\u00e3o compreendidas como uma \u201cconstela\u00e7\u00e3o de cren\u00e7as, valores, t\u00e9cnicas partilhadas pelos membros de uma comunidade cient\u00edfica\u201d (KHUN, 1987, p. 218). Ao entrarem em crise, estes paradigmas s\u00e3o transformados por outros em uma s\u00e9rie hist\u00f3rica marcada por determinados ciclos. O progresso cient\u00edfico, portanto, n\u00e3o \u00e9 produto de um progresso linear, mas resultante de diferentes fases que envolvem irregularidades e conflitos.<\/p>\n\n\n\n<p>A complexidade do tema da governan\u00e7a no campo da Intelig\u00eancia Artificial (IA) \u00e9 n\u00edtida e materializa-se por determinados argumentos. Os impactos causados pelo aumento da utiliza\u00e7\u00e3o da IA n\u00e3o se limitam \u00e0s \u00e1reas de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ou de engenharia, mas atingem os campos pol\u00edtico, administrativo e sociol\u00f3gico. Nesse sentido, a governan\u00e7a em IA consiste em uma quest\u00e3om importante para o futuro da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica (DENHARDT, 2001; UZUN, et al, 2022). Este fen\u00f4meno surge como um debate multidisciplinar e abrange pol\u00edticas p\u00fablicas, engenharia da computa\u00e7\u00e3o, filosofia, direito, sociologia e rela\u00e7\u00f5es internacionais (BOSTROM, et al, 2019; UZUN, et al., 2022). Na verdade, n\u00e3o apenas os problemas da IA s\u00e3o multidisciplinares, como tamb\u00e9m seus benef\u00edcios, que s\u00e3o enormes e atingem \u00e1reas como medicina e sa\u00fade, transportes, educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia, sustentabilidade e desenvolvimento econ\u00f4mico (DAFOE, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um consenso difundido de que os sistemas de IA precisam ser bem governados para que consigam trabalhar em alinhamento com os valores humanos e sociais a fim de usufruir dos benef\u00edcios e controlar seus os riscos. No entanto, a literatura sobre governan\u00e7a da IA ainda \u00e9 desorganizada. Al\u00e9m disso, este fen\u00f4meno no campo da IA est\u00e1 inserido em um panorama mais amplo que envolve governan\u00e7a das empresas, de dados e de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o (TI), tornando o estudo ainda mais complexo (M\u00c4NTYM\u00c4KI, et al. 2022). Independentemente dos conceitos estudados, \u00e9 certo que o tema da governan\u00e7a em IA tem condicionado os pesquisadores a discuss\u00f5es complexas, de modo que seja imposs\u00edvel desenvolver uma \u00fanica conceitua\u00e7\u00e3o universalmente aceita. E independentemente damultiplicidade conceitual, ressalta-se a centralidade do tema nas agendas governamentais, pois ela dialoga diretamente com a qualidade de vida das futuras gera\u00e7\u00f5es (UZUN, et al., 2022), de tal modo que tanto governos quanto sociedade civil e setores privados s\u00e3o respons\u00e1veis por debaterem sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de mecanismos de IA para garantir transpar\u00eancia e accountability para esses sitemas para mitigar os riscos e poss\u00edveis desvantagens do uso desses sistemas e, simultaneamente, usufruir do potencial dessa tecnologia (GASSER &amp; ALMEIDA, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe ressaltar que n\u00e3o somente a governan\u00e7a, como tamb\u00e9m a \u00e9tica \u00e9 objeto de uma complexidade not\u00e1vel de abordagens, bem como constitui-se como um campo de estudos multidisciplinar, complexo e alvo de diferentes interpreta\u00e7\u00f5es. Por exemplo, Bartneck (2021) define que a \u00e9tica refere-se aos princ\u00edpios, julgamentos gerais e normas e, atualmente, \u00e9 objeto de diferentes escolas de pensamento. J\u00e1 Resnik (2015) sustenta que a \u00e9tica \u00e9 o conjunto de normas que diferenciam comportamentos aceit\u00e1veis dos inaceit\u00e1veis. Significa dizer que, para que uma teoria \u00e9tica seja aderente com os problemas atuais, ela precisa constituir-se de forma din\u00e2mica e multidisciplinar. S\u00f3 assim ela ser\u00e1 capaz de abordar determinados problemas espec\u00edficos no campo da Administra\u00e7\u00e3o com efici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao buscar interligar o fen\u00f4meno da governan\u00e7a em IA com a teoria de Morin (2003), podemos reconhecer determinados elementos: (i) a complexidade do fen\u00f4meno da governan\u00e7a em IA; (ii) as rela\u00e7\u00f5es deste tema com outros campos cient\u00edficos; (iii) as variadas interliga\u00e7\u00f5es com stakeholders, que apresentam interesses diversos; e (iv) a demanda por um estudo cient\u00edfico integrado que envolva diferentes disciplinas e perspectivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, uma conex\u00e3o entre a teoria da revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de Kuhn (1987) com acomplexidade da governan\u00e7a na IA consiste nos paradigmas da governan\u00e7a que, com o passar das d\u00e9cadas, s\u00e3o substitu\u00eddos por novas formas de enxergar este fen\u00f4meno. Novos conceitos de governan\u00e7a substituem os antigos e abarcam uma maior quantidade de elementos, complexificando o conceito a partir da interliga\u00e7\u00e3o com outros elementos. Essa complexifica\u00e7\u00e3o da governan\u00e7a \u00e9 o que a qualifica a trazer respostas para as problem\u00e1ticas que envolvam a IA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BARTNECK, Christopher et al. A<strong>n introduction to ethics in robotics and AI<\/strong>. Springer Nature, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>BOSTROM, Nick; DAFOE, Allan; FLYNN, Carrick. Public policy and superintelligent AI: a vector field approach. <strong>Governance of AI Program, Future of Humanity Institute, University of Oxford. Oxford<\/strong>, UK, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>DAFOE, Allan. AI governance: a research agenda. <strong>Governance of AI Program, Future of Humanity Institute, University of Oxford: Oxford<\/strong>, UK, v. 1442, p. 1443, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>DENHARDT, Robert B. The big questions of public administration education. <strong>Public Administration Review<\/strong>, v. 61, n. 5, p. 526-534, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>GASSER, Urs; ALMEIDA, Virgilio AF. A layered model for AI governance. <strong>IEEE Internet Computing<\/strong>, v. 21, n. 6, p. 58-62, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>KHUN, T. Posf\u00e1cio. In: KHUN, T. <strong>A estrutura das revolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1987, p. 217-257.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00c4NTYM\u00c4KI, Matti et al. Defining organizational AI governance. <strong>AI and Ethics<\/strong>, p. 1-7, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>MORIN, E. <strong>Introdu\u00e7\u00e3o ao pensamento complexo<\/strong>. Lisboa, Instituto Piaget, 2003 (Trechos escolhidos \u2013 p. 57 a 76 e p. 85-93).<\/p>\n\n\n\n<p>RESNIK, David B. et al. <strong>What is ethics in research &amp; why is it important.<\/strong> December, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>UZUN, Mehmet Metin; YILDIZ, Mete; \u00d6NDER, Murat. Big Questions of AI in Public Administration and Policy. <strong>Siyasal: Journal of Political Sciences<\/strong>, v. 31, n. 2, p. 423-442. 2022.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fen\u00f4meno da fragmenta\u00e7\u00e3o do conhecimento, cujas ra\u00edzes remontam ao cartesianismo, culminou em observa\u00e7\u00f5es parciais acerca do pr\u00f3prio conhecimento. 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