{"id":3769,"date":"2022-11-15T18:00:00","date_gmt":"2022-11-15T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.admethics.com\/?p=3769"},"modified":"2022-11-11T18:48:33","modified_gmt":"2022-11-11T21:48:33","slug":"what-is-artificial-intelligence-part-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/what-is-artificial-intelligence-part-1\/2022\/","title":{"rendered":"\ufffcO que \u00e9 Intelig\u00eancia Artificial? (Parte 1)"},"content":{"rendered":"\n<p>A Intelig\u00eancia Artificial (IA) est\u00e1 se tornando um daqueles termos que todos conhecem, falam sobre, mas na hora de pensar na sua defini\u00e7\u00e3o, surgem dificuldades. Assim, come\u00e7o este texto sugerindo uma reflex\u00e3o: primeiro, pense no que \u00e9 a IA e, em seguida, olhe a sua volta e tente identificar onde ela est\u00e1 atuando.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se preocupe se n\u00e3o foi f\u00e1cil: ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre a sua defini\u00e7\u00e3o, nem na literatura da \u00e1rea. Falar que \u00e9 uma tecnologia \u00e9 muito abrangente e dizer que \u00e9 uma m\u00e1quina inteligente \u00e9 pouco preciso. Uma calculadora, por exemplo, \u00e9 uma m\u00e1quina inteligente para fazer c\u00e1lculos, mas n\u00e3o \u00e9 um tipo de IA.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma estrat\u00e9gia poderia ser entender o significado das duas palavras do termo separadamente. No entanto, por um lado, se decifrar a&nbsp;<strong>intelig\u00eancia<\/strong>&nbsp;tr\u00e1s \u00e0 tona uma longa discuss\u00e3o ainda sem resposta, entender a intelig\u00eancia no contexto da IA pode ser uma tarefa controversa e ainda mais complexa. Por outro lado, embora seja simples entender que&nbsp;<strong>artificial<\/strong>&nbsp;significa n\u00e3o humano, a IA \u00e9 um campo vasto que vem desenvolvendo ferramentas com comportamentos inteligentes, mesmo que ainda em ambientes controlados e por per\u00edodos particulares. Em resumo, compreender a intelig\u00eancia \u00e9 desafiante, mas ao tentar atribuir intelig\u00eancia \u00e0 tecnologia complicou ainda mais a quest\u00e3o (ARKOUDAS; BRINGSJORD; 2014).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste interim, deixo uma dica: recorrer \u00e0 hist\u00f3ria pode trazer uma luz!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1956, John McCarthy usou o termo \u201cintelig\u00eancia artificial\u201d pela primeira vez na seminal Confer\u00eancia de Dartmouth (FRANKILIN, 2014). N\u00e3o se engane, a IA n\u00e3o foi desenvolvida neste evento, mas figur\u00f5es da \u00e1rea se reuniram no&nbsp;<em>workshop<\/em>&nbsp;para interagir e trocar ideias. Neste grupo, estavam Marvin Minsky, Herbert Simon, Allen Newell, Claude Shannon e Nathaniel Rochester, por exemplo, que se tornaram, nas d\u00e9cadas seguintes, os respons\u00e1veis por importantes evolu\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da computa\u00e7\u00e3o e criadores de proeminentes centros de pesquisa em IA (FRANKILIN, 2014; RUSSEL; NORVIG, 2009). Assim, \u00e9 poss\u00edvel compreender que a ideia da IA surgiu bem antes do seu desenvolvimento t\u00e9cnico em si, refletindo em sua ess\u00eancia a interdisciplinaridade representada pela intersec\u00e7\u00e3o dos dois maiores desenvolvimentos intelectuais do s\u00e9culo 20: a teoria da computabilidade e a revolu\u00e7\u00e3o cognitiva (ARKOUDAS; BRINGSJORD; 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Numa pr\u00f3xima oportunidade, por\u00e9m, mostrarei como, apesar da express\u00e3o&nbsp;<strong>intelig\u00eancia artificial<\/strong>&nbsp;ser um fruto da confer\u00eancia de Dartmouth, a sua imagina\u00e7\u00e3o e o prov\u00e1vel in\u00edcio, em contrapartida, s\u00e3o muito anteriores. Tamb\u00e9m pularei importantes inven\u00e7\u00f5es, como a os algoritmos, para elencar alguns pontos que, hoje, julgo \u00fateis para esta reflex\u00e3o. O primeiro \u00e9 o&nbsp;<em>machine learning<\/em>&nbsp;(aprendizado da m\u00e1quina), que definiu o campo da IA ainda nos seus prim\u00f3rdios. O segundo \u00e9 o&nbsp;<em>deep learning<\/em>&nbsp;(aprendizado profundo), que trouxe a redes neurais artificiais que usam o c\u00e9rebro humano como modelo (KAUFMAN, 2018). Dessa forma, percebe-se que apesar do desenvolvimento da IA n\u00e3o ter como intuito replicar explicitamente a intelig\u00eancia humana, os seres humanos acabam sendo um padr\u00e3o de compara\u00e7\u00e3o (COECKELBERG, 2020). Por consequ\u00eancia, tendo em vista estes precedentes, destaca-se que a intelig\u00eancia artificial \u00e9, evidentemente, um campo o t\u00e9cnico ligado \u00e0 computa\u00e7\u00e3o e engenharia, mas tamb\u00e9m \u00e9 uma nova \u00e1rea da ci\u00eancia com fortes liga\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas por ter como base o homem e a sua intelig\u00eancia como um dos padr\u00f5es&nbsp;(FRANKLIN, 2014).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, finalizo este texto pedindo para voltar \u00e0 reflex\u00e3o inicial e pergunto: depois e saber destes fatos, voc\u00ea mudaria a seu conceito e sua forma de ver a IA?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><br>Refer\u00eancias:<\/p>\n\n\n\n<p>Arkoudas, Bringsjord cap 2 In Frankish, Keith (ed.), The Cambridge Handbook of&nbsp;Artificial Intelligence (pp. 316-334). Cambridge University Press, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Coeckelberg, M. AI Ethics. The MIT Press essential knowledge series. Cambridge, MA: The MIT Press, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>Frankish, Keith (ed.), The Cambridge Handbook of Artificial Intelligence (pp. 316-334).&nbsp;Cambridge University Press, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>KAUFMANM, Dora.&nbsp;<strong>A intelig\u00eancia artificial ir\u00e1 suplantar a intelig\u00eancia humana?&nbsp;<\/strong>(Cole\u00e7\u00e3o Interroga\u00e7\u00f5es). Edi\u00e7\u00e3o do Kindle. Esta\u00e7\u00e3o das letras e Cores.&nbsp;Barueri, SP: 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Intelig\u00eancia Artificial (IA) est\u00e1 se tornando um daqueles termos que todos conhecem, falam sobre, mas na hora de pensar na sua defini\u00e7\u00e3o, surgem dificuldades. Assim, come\u00e7o este texto sugerindo uma reflex\u00e3o: primeiro, pense no que \u00e9 a IA e, em seguida, olhe a sua volta e tente identificar onde ela est\u00e1 atuando. 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