{"id":3737,"date":"2022-10-12T17:49:34","date_gmt":"2022-10-12T20:49:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.admethics.com\/?p=3737"},"modified":"2022-10-14T17:27:56","modified_gmt":"2022-10-14T20:27:56","slug":"freedom-decentralization-and-de-bureaucratization","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/freedom-decentralization-and-de-bureaucratization\/2022\/","title":{"rendered":"Liberdade, descentraliza\u00e7\u00e3o e desburocratiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>O que torna um homem livre sen\u00e3o a capacidade de poder fazer as suas escolhas? Do Estado, espera-se a condi\u00e7\u00e3o para o indiv\u00edduo exercer a sua liberdade e proteger sua vida e propriedade. N\u00e3o basta, por\u00e9m, que a na\u00e7\u00e3o assegure a liberdade no plano pol\u00edtico, \u00e9 imperioso que ela se estenda ao quotidiano do cidad\u00e3o. Uma Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica complexa e centralizada, tipicamente burocr\u00e1tica, afasta o homem comum da esfera p\u00fablica, al\u00e9m de elevar o risco de opress\u00e3o estatal.<\/p>\n\n\n\n<p>Tocqueville (1998) alerta que os sujeitos, quando abrem m\u00e3o de dirigirem suas vidas, escolherem seus representantes e gerirem seus problemas, para transferir as decis\u00f5es a um burocrata, perdem a aptid\u00e3o de escolher aqueles que deveriam conduzi-los, tornando-os um povo de servos. Para o autor, a centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa \u00e9 um obst\u00e1culo \u00e0 cidadania e ao desenvolvimento da liberdade pol\u00edtica, em que o \u201csoberano estende os bra\u00e7os para abarcar a sociedade inteira, e cobre-a de uma rede de pequenas regras complicadas, minuciosas e uniformes, atrav\u00e9s da qual mesmo os esp\u00edritos mais originais e as almas mais fortes n\u00e3o conseguir\u00e3o romper\u201d (TOCQUEVILLE, 1998, p. 273).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A dist\u00e2ncia entre governantes e governados pode ser mensurada atrav\u00e9s da possibilidade de o cidad\u00e3o praticar suas a\u00e7\u00f5es livremente e de ser capaz de se envolver com a&nbsp;<em>polis<\/em>. Nesse sentido, Tocqueville (1998, p.389) aponta que: \u201cQuando o p\u00fablico governa, n\u00e3o h\u00e1 homem que n\u00e3o sinta o pre\u00e7o do bem-estar p\u00fablico e que n\u00e3o procure cativ\u00e1-lo, atraindo para si a estima e a afei\u00e7\u00e3o daqueles em cujo meio devem viver\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A capacidade de pensar e tomar decis\u00f5es limitadas \u00e0 administra\u00e7\u00e3o central desestimula o esp\u00edrito de liberdade e participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os. Evidente que as mazelas de uma na\u00e7\u00e3o s\u00e3o sentidas na ponta por aqueles que vivenciam a situa\u00e7\u00e3o. Assim, a destreza do governo local ou de particulares seria muito mais eficaz, inovadora, \u00e1gil e econ\u00f4mica para resolver determinados assuntos. Ademais, a concentra\u00e7\u00e3o de poder em n\u00edvel federal leva a morosidade das solu\u00e7\u00f5es, incha\u00e7o do aparato burocr\u00e1tico e esvaziamento da autoridade perif\u00e9rica (BELTR\u00c3O, 1984).<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro da perspectiva da Nova Gest\u00e3o P\u00fablica, Osborne e Gaebler (1995) indicam que a descentraliza\u00e7\u00e3o da autoridade abre espa\u00e7o para um gerenciamento participativo, possibilitando uma a\u00e7\u00e3o conjunta entre a sociedade civil organizada, o setor p\u00fablico e o setor privado. J\u00e1 na \u00f3tica do Novo Servi\u00e7o P\u00fablico, o homem \u00e9 um ser pol\u00edtico disposto a agir na comunidade, cujo ju\u00edzo moral \u00e9 constru\u00eddo a partir da discuss\u00e3o p\u00fablica (SALM E MENEGASSO, 2009). Outrossim, embora haja diverg\u00eancias epistemol\u00f3gicas nas teorias de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, a descentraliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um elo em comum.<\/p>\n\n\n\n<p>A burocracia, portanto, n\u00e3o abre espa\u00e7o para a descentraliza\u00e7\u00e3o nem para as escolhas individuais. Desse modo, cabe investigarmos os caminhos com mais ou menos centraliza\u00e7\u00e3o, e que ir\u00e3o levar para lugares t\u00e3o distintos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BELTR\u00c3O, H\u00e9lio.&nbsp;<strong>Descentraliza\u00e7\u00e3o e Liberdade.<\/strong>&nbsp;Rio de Janeiro: Record, 1984.<\/p>\n\n\n\n<p>OSBORNE, David; GAEBLER, Ted.&nbsp;<strong>Reinventando o governo: como o esp\u00edrito empreendedor est\u00e1 transformando o setor p\u00fablico.<\/strong>&nbsp;Bras\u00edlia: MH Comunica\u00e7\u00e3o, 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>SALM, J. F.; MENEGASSO, M. E.<strong>&nbsp;Os modelos de administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica como estrat\u00e9gias complementares para a coprodu\u00e7\u00e3o do bem p\u00fablico.<\/strong>&nbsp;Revista de Ci\u00eancias da Administra\u00e7\u00e3o, v.11, n. 25, p. 97-114, set\/dez 2009.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>TOCQUEVILLE, Alexis de.&nbsp;<strong>A Democracia na Am\u00e9rica<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Eduardo Brand\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1998.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que torna um homem livre sen\u00e3o a capacidade de poder fazer as suas escolhas? Do Estado, espera-se a condi\u00e7\u00e3o para o indiv\u00edduo exercer a sua liberdade e proteger sua vida e propriedade. N\u00e3o basta, por\u00e9m, que a na\u00e7\u00e3o assegure a liberdade no plano pol\u00edtico, \u00e9 imperioso que ela se estenda ao quotidiano do cidad\u00e3o. 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