{"id":3723,"date":"2022-09-13T15:11:28","date_gmt":"2022-09-13T18:11:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.admethics.com\/?p=3723"},"modified":"2022-09-13T15:11:30","modified_gmt":"2022-09-13T18:11:30","slug":"dignity-as-an-object-of-ethical-reflection","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/dignity-as-an-object-of-ethical-reflection\/2022\/","title":{"rendered":"A dignidade enquanto objeto da reflex\u00e3o \u00e9tica"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cSearchin&#8217; high, searchin&#8217; low<\/p>\n\n\n\n<p>Searchin&#8217; everywhere I know<\/p>\n\n\n\n<p>Askin&#8217; the cops wherever I go<\/p>\n\n\n\n<p>Have you seen dignity\u201d.<a href=\"#_edn1\" id=\"_ednref1\">[i]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(Bob Dylan, Dignity, 1989).<\/p>\n\n\n\n<p>Dignidade \u00e9 uma palavra conhecida por todos, e frequentemente citada nos mais diversos assuntos, ou seja, \u00e9 uma palavra comum; essa no\u00e7\u00e3o compreendida acaba por n\u00e3o nos estimular a entend\u00ea-la, ou pens\u00e1-la, em rela\u00e7\u00e3o ao outro. O que realmente nos leva a ter dignidade? E quando nos preocupamos com a dignidade alheia, ou seja, quando reconhecemos o outro como digno?<\/p>\n\n\n\n<p>Para relembrar um pouco o que os dicion\u00e1rios informam sobre a dignidade, seguem algumas acep\u00e7\u00f5es: ser digno de algo, ser digno de respeito, ter honestidade, ter integridade, respeitabilidade e dec\u00eancia, entre tantos outros adjetivos. Ela tamb\u00e9m \u00e9 a palavra que deriva do latim <em>dignitate<\/em>, que por sua vez significa honradez e virtude; portanto, ela remete \u00e0 integridade moral de uma pessoa. Tamb\u00e9m se diz que ter dignidade \u00e9 a qualidade de se ser. \u00c9 o que nos imp\u00f5e, ou pelo menos inspira, o respeito, o amor-pr\u00f3prio, o brio.<\/p>\n\n\n\n<p>Com tantos significados, com tanta import\u00e2ncia para o bem viver, \u00e9 quase imposs\u00edvel pensar que a dignidade possa n\u00e3o estar presente nas teorias \u00e9ticas. Tendo-se os fil\u00f3sofos Kant e Arist\u00f3teles como refer\u00eancias, buscou-se entender melhor a quest\u00e3o da dignidade, indo al\u00e9m do seu significado como palavra.<\/p>\n\n\n\n<p>Kant se refere a ela como uma qualidade insepar\u00e1vel ao ser humano, ou seja, \u00e9 algo intr\u00ednseco a natureza humana, \u00e9 inato. O homem por si s\u00f3 \u00e9 digno, tem respeito. Uma pessoa n\u00e3o concede dignidade a outra pessoa, ela j\u00e1 a possui. Cabe ao outro \u00e9 aceitar, ou entender, que a outra pessoa tamb\u00e9m possui dignidade. Kant sempre direciona \u00e0 objetividade, ao racioc\u00ednio, a consci\u00eancia, e ao entendimento como lei universal, ou seja, remete as a\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o do imperativo categ\u00f3rico. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma frase bem conhecida de Arist\u00f3teles \u00e9 que a \u201cdignidade n\u00e3o consiste em possuir honrarias, mas sim em merec\u00ea-las\u201d. Para ele a dignidade \u00e9 uma virtude, uma a\u00e7\u00e3o equilibrada; pois como a dignidade \u00e9 um exerc\u00edcio de amor-pr\u00f3prio ao exceder-se ele se torna orgulho. \u00c9 f\u00e1cil transpor a linha divis\u00f3ria, \u00e9 f\u00e1cil exceder-nos em amor-pr\u00f3prio e brio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Arist\u00f3teles a dignidade \u00e9 uma pr\u00e1tica, uma virtude que pode ser conquistada ao se desenvolver bons h\u00e1bitos de conduta, ao se desvincular dos v\u00edcios e buscar o bem-viver.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o parece ser dif\u00edcil concordar que se busca viver com dignidade, que cada indiv\u00edduo almeja que o outro lhe permita se sentir digno e honrado. Ent\u00e3o, para que se tenha dignidade leva-se uma vida com honestidade, integridade e todos os outros adjetivos j\u00e1 citados. Se requer, atrav\u00e9s das a\u00e7\u00f5es, o reconhecimento e merecimento em ser digno de algo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Mas ser\u00e1 que permitimos que o outro mantenha ou desenvolva a sua dignidade? Ser\u00e1 que nos preocupamos em permitir que o outro viva com honra e integridade moral? Dito de outra forma, reconhece-se o outro como digno?<\/p>\n\n\n\n<p>Quais as a\u00e7\u00f5es que executamos que permitem aos demais exercitarem a sua dignidade? Que tratamento dispensamos aos que est\u00e3o ao nosso redor?<\/p>\n\n\n\n<p>Se h\u00e1 consci\u00eancia do que \u00e9 preciso fazer para que se viva com dignidade, se ela \u00e9 impl\u00edcita ao ser humano, tamb\u00e9m n\u00e3o se sabe o que fazer para diminuir a dignidade dos outros ao n\u00e3o a reconhecer?<\/p>\n\n\n\n<p>Esta reflex\u00e3o n\u00e3o traz respostas, estas se encontram no interior de cada um: em a\u00e7\u00f5es, cren\u00e7as e interesses. O que se buscou foi demonstrar o significado da dignidade em termos filos\u00f3ficos, e em rela\u00e7\u00e3o a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o na l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se resumir ao dizer que Kant a defende como inerente ao ser humano, \u00e9 de sua natureza, precisar\u00e1 apenas da pr\u00f3pria consci\u00eancia. A pessoa \u00e9 quem decidir\u00e1 se agir\u00e1 de forma digna ou n\u00e3o. J\u00e1 Arist\u00f3teles a v\u00ea como uma constru\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter, onde o reconhecimento de ser digno \u00e9 externo, h\u00e1 o reconhecimento do outro como digno<\/p>\n\n\n\n<p>A dignidade j\u00e1 foi abordada em <em>posts<\/em> anteriores, analisada em seu significado Constitucional, e teol\u00f3gico, aqui complementa-se com a abordagem filos\u00f3fica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSo many roads, so much at stake<\/p>\n\n\n\n<p>Too many dead ends, I&#8217;m at the edge of the lake<\/p>\n\n\n\n<p>Sometimes I wonder what it&#8217;s gonna take<\/p>\n\n\n\n<p>To find dignity\u201d <a href=\"#_edn2\" id=\"_ednref2\">[ii]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n\n\n\n<p>Dignidade. <strong>Michaelis<\/strong>: dicion\u00e1rio brasileiro da l\u00edngua portuguesa. Dispon\u00edvel em:&nbsp;&nbsp; ttps:\/\/michaelis.uol.com.br\/moderno-portugues\/busca\/portugues-brasileiro\/dignidade\/. Acesso em: 09 set. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Dignidade. <strong>Dicion\u00e1rio Informal<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.dicionarioinformal.com.br\/dignidade\/. Acesso em: 09 set. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>QUEIROZ, Victor Santos. A dignidade da pessoa humana no pensamento de Kant. <strong>Jus.com.br<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/jus.com.br\/artigos\/7069\/a-dignidade-da-pessoa-humana-no-pensamento-de-kant\/3. Acesso em: 12 set. 2022.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" id=\"_edn1\">[i]<\/a> &#8220;Procurando aqui e ali, procurando em todos os lugares que conhe\u00e7o, perguntando aos tiras onde quer que eu v\u00e1, &#8216;voc\u00ea viu a dignidade&#8217;?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref2\" id=\"_edn2\">[ii]<\/a> \u201cTantas estradas, tanto em jogo, tantos becos sem sa\u00edda, estou na beira do lago. \u00c0s vezes eu imagino o que \u00e9 preciso para encontrar dignidade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSearchin&#8217; high, searchin&#8217; low Searchin&#8217; everywhere I know Askin&#8217; the cops wherever I go Have you seen dignity\u201d.[i] (Bob Dylan, Dignity, 1989). Dignidade \u00e9 uma palavra conhecida por todos, e frequentemente citada nos mais diversos assuntos, ou seja, \u00e9 uma palavra comum; essa no\u00e7\u00e3o compreendida acaba por n\u00e3o nos estimular a entend\u00ea-la, ou pens\u00e1-la, em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":3724,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[151,526,506,527],"class_list":["post-3723","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opinion","tag-aristotle","tag-ethical-reflection","tag-human-dignity","tag-kant"],"translation":{"provider":"WPGlobus","version":"3.0.2","language":"br","enabled_languages":["en","br"],"languages":{"en":{"title":true,"content":true,"excerpt":false},"br":{"title":true,"content":true,"excerpt":false}}},"blog_post_layout_featured_media_urls":{"thumbnail":["https:\/\/www.admethics.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Silvia-150x150.jpg",150,150,true],"full":["https:\/\/www.admethics.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Silvia.jpg",979,460,false]},"categories_names":{"6":{"name":"Opinion","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/category\/opinion\/"}},"tags_names":{"151":{"name":"Aristotle","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/aristotle\/"},"526":{"name":"Ethical reflection","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/ethical-reflection\/"},"506":{"name":"Human Dignity","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/human-dignity\/"},"527":{"name":"Kant","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/kant\/"}},"comments_number":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3723","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3723"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3723\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3729,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3723\/revisions\/3729"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3724"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}