{"id":3684,"date":"2022-08-23T16:53:04","date_gmt":"2022-08-23T19:53:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.admethics.com\/?p=3684"},"modified":"2022-08-23T16:53:05","modified_gmt":"2022-08-23T19:53:05","slug":"the-three-or-four-laws-of-robotics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/the-three-or-four-laws-of-robotics\/2022\/","title":{"rendered":"<strong>As tr\u00eas \u2013 ou quatro \u2013 leis da rob\u00f3tica<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p>Isaac Asimov (1920 \u2013 1992) \u00e9 considerado um dos maiores escritores de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do s\u00e9culo XX. PhD em Bioqu\u00edmica, Asimov escreveu mais de 400 livros, entre contos, romances e novelas de fic\u00e7\u00e3o, e obras de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre temas de Astronomia, F\u00edsica e Hist\u00f3ria, entre outras. Especialmente influente \u00e9 a sua fic\u00e7\u00e3o sobre a rob\u00f3tica, que o levou a imaginar um universo em que os seres humanos conviveriam com rob\u00f4s respons\u00e1veis pelas mais diferentes tarefas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como seria esse mundo? Como seriam os rob\u00f4s? Asimov desenvolveu sua utopia (e algumas distopias) sobre o desenvolvimento dos rob\u00f4s e seus impactos sobre a vida humana em diversos livros, mas, de especial interesse para quem lida com \u00e9tica \u00e9 sua formula\u00e7\u00e3o das tr\u00eas leis, um conjunto de princ\u00edpios que, em sua vis\u00e3o, seriam incorporados \u00e0 programa\u00e7\u00e3o de todos os rob\u00f4s, o que os tornaria permanentemente sujeitos \u00e0 vontade humana. Esses princ\u00edpios s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>1\u00aa Lei: Um rob\u00f4 n\u00e3o pode causar mal ou ferir a um ser humano ou, por ina\u00e7\u00e3o, permitir que um ser humano o sofra;<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00aa Lei: Um rob\u00f4 deve obedecer \u00e0s ordens de um ser humano, exceto nos casos em que tais ordens conflitem com a primeira lei;<\/p>\n\n\n\n<p>3\u00aa Lei: Um rob\u00f4 deve proteger sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, exceto nos casos em que haja conflito com a primeira ou segunda lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o existam, atualmente, leis gerais para a rob\u00f3tica, \u00e9 fato que v\u00e1rios pesquisadores as levam a s\u00e9rio e as discutem. Eticamente falando, percebe-se que elas imp\u00f5em um dever de preserva\u00e7\u00e3o dos seres humanos e um de obedi\u00eancia, e, em segundo plano, o dever da autopreserva\u00e7\u00e3o. Asimov acreditava que a possibilidade de rob\u00f4s usarem capacidades superiores para prejudicar a humanidade seria impedida pelas leis: o dever de obedec\u00ea-las impediria um rob\u00f4 de matar uma pessoa por ordem de outra (conflitaria com a primeira lei), bem como de matar uma pessoa que amea\u00e7asse sua pr\u00f3pria exist\u00eancia f\u00edsica, pois sua autoprote\u00e7\u00e3o vem abaixo do dever de obedecer \u00e0 primeira lei.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Assim, parece haver, nas tr\u00eas leis, a preocupa\u00e7\u00e3o com uma deontologia da \u201cmoral rob\u00f3tica\u201d, em que a exist\u00eancia dos rob\u00f4s \u00e9 inferior \u00e0 humana: a criatura jamais poderia sobrepujar o criador. Se voc\u00ea, que tirou uns minutos para ler meu texto, acredita em Deus e conhece a filosofia do s\u00e9culo XIX, eu lhe digo que o rob\u00f4, neste caso, \u00e9 superior ao super-homem de Nietzsche, j\u00e1 que este matou Deus&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p> Divaga\u00e7\u00f5es \u00e0 parte, uma das s\u00e9ries de Asimov, a \u201cS\u00e9rie dos Rob\u00f4s\u201d, composta por quatro romances protagonizados por Elijah Baley, um detetive, e seu parceiro R. Daneel Olivaw, um rob\u00f4 humanoide, utiliza quase o tempo todo as tr\u00eas leis para desenvolver sua trama. Entretanto, no quarto livro, intitulado \u201cRob\u00f4s e Imp\u00e9rio\u201d, Asimov acrescentou uma quarta lei:<\/p>\n\n\n\n<p>Lei Zero: Um rob\u00f4 n\u00e3o pode causar mal \u00e0 humanidade ou, por ina\u00e7\u00e3o, permitir que a humanidade o sofra.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei zero \u00e9 central para o desenvolvimento do quarto romance, e o leitor que completa a leitura dos quatro livros fica tentado a especular sobre como seria se os tr\u00eas anteriores a tivessem incorporado. Aspectos liter\u00e1rios \u00e0 parte, a lei zero \u00e9 adotada por Daneel para evitar a destrui\u00e7\u00e3o da Terra, mesmo com custo para alguns seres humanos envolvidos, mas n\u00e3o \u00e9 uma lei programada \u2013 ela foi desenvolvida pelo pr\u00f3prio rob\u00f4! Tanto \u00e9 assim que o outro rob\u00f4 que aparece nos romances, R. Giskaard Reventlov, tecnicamente menos avan\u00e7ado (mas capaz de influenciar telepaticamente o pensamento humano), tem dificuldade de agir com base nela.<\/p>\n\n\n\n<p>Os rob\u00f4s de Asimov s\u00e3o sujeitos individualizados, tanto que recebem nomes; entretanto, s\u00e3o sempre destacados pela inicial R para se distinguirem. Como sujeitos morais, eles t\u00eam uma \u00e9tica de servi\u00e7o a seus mestres humanos, e sua exist\u00eancia est\u00e1 diretamente atrelada \u00e0 deles. Mas, em termos te\u00f3ricos, h\u00e1 um aspecto importante a ser destacado: a quarta lei ou lei zero \u00e9 marcantemente utilitarista. Enquanto as outras leis s\u00e3o basicamente voltadas para os aspectos individuais da \u00e9tica, e funcionam como princ\u00edpios, a lei zero desloca seu objeto para uma entidade maior, que \u00e9 o ser humano como um todo, e permite a um rob\u00f4 causar danos a um ser humano para salvar a humanidade como um todo. O ato, ent\u00e3o passa a ser analisado pela sua consequ\u00eancia, que \u00e9 o maior bem ao maior n\u00famero.<\/p>\n\n\n\n<p>Asimov n\u00e3o retomou a s\u00e9rie dos rob\u00f4s ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de \u201cRob\u00f4s e Imp\u00e9rio\u201d. Teria sido interessante ver como a quarta lei funcionaria em outros contextos, mas n\u00e3o se sabe nada a esse respeito. Independentemente disso, moralmente falando, a \u00fanica compatibiliza\u00e7\u00e3o poss\u00edvel com as outras tr\u00eas leis \u00e9 posicionando-a no contexto de um utilitarismo de regras, do qual j\u00e1 falei em outro texto deste blog. Por mais que possa ser atraente, o utilitarismo de regras s\u00f3 funcionaria com um agente moral virtuoso; e como ser virtuoso em situa\u00e7\u00f5es diferentes se voc\u00ea teria que obedecer a leis gerais?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isaac Asimov (1920 \u2013 1992) \u00e9 considerado um dos maiores escritores de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do s\u00e9culo XX. PhD em Bioqu\u00edmica, Asimov escreveu mais de 400 livros, entre contos, romances e novelas de fic\u00e7\u00e3o, e obras de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre temas de Astronomia, F\u00edsica e Hist\u00f3ria, entre outras. Especialmente influente \u00e9 a sua fic\u00e7\u00e3o sobre a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":3685,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[519,520,517,518],"class_list":["post-3684","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-isaac-asimov","tag-laws","tag-robotics","tag-science-fiction"],"translation":{"provider":"WPGlobus","version":"3.0.2","language":"br","enabled_languages":["en","br"],"languages":{"en":{"title":true,"content":true,"excerpt":false},"br":{"title":true,"content":true,"excerpt":false}}},"blog_post_layout_featured_media_urls":{"thumbnail":["https:\/\/www.admethics.com\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Zapeline-image-150x150.jpg",150,150,true],"full":["https:\/\/www.admethics.com\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Zapeline-image.jpg",1280,720,false]},"categories_names":{"1":{"name":"Uncategorized","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/category\/uncategorized\/"}},"tags_names":{"519":{"name":"Isaac Asimov","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/isaac-asimov\/"},"520":{"name":"Laws","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/laws\/"},"517":{"name":"Robotics","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/robotics\/"},"518":{"name":"Science Fiction","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/science-fiction\/"}},"comments_number":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3684"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3684\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3688,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3684\/revisions\/3688"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}