{"id":3425,"date":"2022-05-09T14:52:34","date_gmt":"2022-05-09T17:52:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.admethics.com\/?p=3425"},"modified":"2022-05-09T17:19:31","modified_gmt":"2022-05-09T20:19:31","slug":"what-defines-a-moral-act","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/what-defines-a-moral-act\/2022\/","title":{"rendered":"O que define um ato moral?"},"content":{"rendered":"\n<p>Embora n\u00e3o exista um consenso universal em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 moral e o que n\u00e3o \u00e9, v\u00e1lido para todas as culturas em todos os tempos, parece haver uma interpreta\u00e7\u00e3o comum em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 agir moralmente. Esta reflex\u00e3o sobre o que \u00e9 esse agir foi motivada por uma breve conversa no intervalo de uma aula, e come\u00e7ou a ganhar corpo depois de ver o produtor de cinema Ron Howard postar uma foto afirmando que, embora n\u00e3o seja mais obrigat\u00f3rio, ele continuaria usando m\u00e1scara em lugares p\u00fablicos, para o bem dos outros.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, toda a\u00e7\u00e3o humana tem algum tipo de motivo, desde as mais b\u00e1sicas; se estou sentindo sede, minhas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o no sentido de abandonar algo que esteja fazendo e ir at\u00e9 o local que tenha \u00e1gua dispon\u00edvel, sirvo-me e bebo. Essa motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 interna, mas os motivos podem ser externos: por exemplo, se vejo uma crian\u00e7a num parque correr o risco de se machucar, paro o que estou fazendo e tento impedir que ela se machuque. Ou seja, as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o intencionais na medida em que refletem uma modifica\u00e7\u00e3o do estado da pessoa causada por esse motivo, seja interno ou externo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A a\u00e7\u00e3o normalmente se desdobra em diversas atividades ou tarefas que, devidamente ordenadas, permitem satisfazer o motivo original. Ou seja, as a\u00e7\u00f5es t\u00eam inten\u00e7\u00f5es que buscam cumprir e, para isso, dividem-se em pequenas atividades que, interligadas, atingem-nas. Por exemplo, para cumprir a inten\u00e7\u00e3o de acabar com a sede, no m\u00ednimo preciso localizar \u00e1gua (que pode estar num rio ou dentro de uma garrafa na geladeira da minha casa), ir at\u00e9 onde a \u00e1gua est\u00e1, obter algo que a possa conter (um copo, por exemplo), colocar a \u00e1gua no copo e beb\u00ea-la.<br><\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o envolve uma delibera\u00e7\u00e3o, um ato de raz\u00e3o que me faz buscar o melhor meio de atingir minha inten\u00e7\u00e3o. Os motivos entram nesse jogo, pois me informam que h\u00e1 um estado desejado diferente do atual, que, muitas vezes, pode ser alcan\u00e7ado de diferentes formas (por exemplo, se estou em minha casa e sinto sede, ao abrir a geladeira posso encontrar \u00e1gua, suco, refrigerante, ch\u00e1, v\u00e1rios tipos de bebidas). Qual ser\u00e1 a melhor forma de atingir esse motivo, de cumprir essa inten\u00e7\u00e3o? Experi\u00eancias pr\u00e9vias, conhecimentos acumulados, conselhos de outras pessoas, tudo isso pode me levar a decidir qual seria a melhor forma. Veja-se que a a\u00e7\u00e3o, ao ser objeto de uma delibera\u00e7\u00e3o, exige a tomada de uma decis\u00e3o do que fazer. No caso da crian\u00e7a, como evitar que a crian\u00e7a se machuque? Gritar com ela, chamar a aten\u00e7\u00e3o dos pais, correr at\u00e9 ela e peg\u00e1-la para impedir que fa\u00e7a o que iria feri-la? As op\u00e7\u00f5es precisam ser deliberadas para que se possa escolher a melhor dentre elas, que me permitir\u00e1 cumprir minha inten\u00e7\u00e3o e atender meu motivo. Toda a\u00e7\u00e3o tem consequ\u00eancias. Se, em vez de beber \u00e1gua, eu tomar um copo de refrigerante doce, provavelmente sentirei sede novamente em pouco tempo; se agarrar a crian\u00e7a que poderia se machucar, seus pais podem interpretar errado minhas inten\u00e7\u00f5es,<br>pensando que tinha motivos diferentes. \u00c9 imposs\u00edvel prever todas as consequ\u00eancias das a\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 preciso pelo menos estar consciente do maior n\u00famero delas, porque isso me ajuda na delibera\u00e7\u00e3o racional.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, em s\u00edntese, temos o motivo, o ato em si e suas consequ\u00eancias. Mas gostaria de chamar a aten\u00e7\u00e3o para uma palavra que surgiu no par\u00e1grafo anterior, que \u00e9 a consci\u00eancia. Preciso saber o que estou fazendo para realmente agir de maneira livre e racional, e liberdade e racionalidade s\u00e3o essenciais para a a\u00e7\u00e3o. Neste momento, o ato moral pode ser definido. Ele deve ter uma motiva\u00e7\u00e3o, e essa motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 o bem. Fazer o bem \u00e9 o \u00fanico motivo plaus\u00edvel para uma a\u00e7\u00e3o moral; o bem pode ser conceituado, pode ser definido, e deve ser tratado como um absoluto. As atividades depender\u00e3o da a\u00e7\u00e3o em si, o que torna imposs\u00edvel discuti-las aqui. A delibera\u00e7\u00e3o moral envolve valores, que s\u00e3o distintos no tempo, no espa\u00e7o, e de acordo com as culturas. Os valores cumprem a importante fun\u00e7\u00e3o de nos informar o que \u00e9 esse bem t\u00e3o desej\u00e1vel, e podem ser reconhecidos \u2013 mas nunca definidos perfeitamente, o que impede sua universaliza\u00e7\u00e3o. E a consci\u00eancia \u00e9 essencial; se fa\u00e7o algo para o bem, seja o meu, seja o de outras pessoas, preciso estar consciente de que minhas a\u00e7\u00f5es est\u00e3o voltadas para esse objetivo, preciso ter uma defini\u00e7\u00e3o de bem aceit\u00e1vel para mim e para as outras pessoas. A falta de consci\u00eancia do bem e da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o coisas ruins em si, porque uma crian\u00e7a pequena age sem t\u00ea-la, por exemplo; o que \u00e9 preciso, neste caso \u00e9 desenvolver a consci\u00eancia da crian\u00e7a. Mas a consci\u00eancia \u00e9 algo individual. N\u00e3o existe uma \u201cconsci\u00eancia coletiva\u201d reconhec\u00edvel. Os valores s\u00e3o compartilhados com os outros, as a\u00e7\u00f5es podem ser escolhidas depois de uma delibera\u00e7\u00e3o em termos do que outras pessoas fariam, mas a consci\u00eancia da a\u00e7\u00e3o individual s\u00f3 pertence ao indiv\u00edduo. Por este motivo, ela \u00e9 um crit\u00e9rio essencial para a defini\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o moral: se sei o que \u00e9 o bem, e deliberada e conscientemente opto por agir contra ele, n\u00e3o h\u00e1 como justificar a a\u00e7\u00e3o como moral. N\u00e3o \u00e9 pelo aplauso dos outros que voc\u00ea deve agir moralmente, e sim para sua consci\u00eancia. Se Ron Howard realmente queria agir pelo bem dos outros, merece meus aplausos; mas se ele s\u00f3 queria likes nas redes sociais, s\u00f3 merece meu sil\u00eancio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora n\u00e3o exista um consenso universal em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 moral e o que n\u00e3o \u00e9, v\u00e1lido para todas as culturas em todos os tempos, parece haver uma interpreta\u00e7\u00e3o comum em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 agir moralmente. 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