{"id":3411,"date":"2022-04-28T14:47:20","date_gmt":"2022-04-28T17:47:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.admethics.com\/?p=3411"},"modified":"2022-04-28T14:47:22","modified_gmt":"2022-04-28T17:47:22","slug":"selective-ethics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/selective-ethics\/2022\/","title":{"rendered":"<strong>\u00c9tica seletiva<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p>O que est\u00e1 surgindo (ou ressurgindo) em nossa \u00e9poca \u00e9 a legitima\u00e7\u00e3o de uma \u00e9tica seletiva de acordo com atributos categoriais nos quais cada indiv\u00edduo se enquadra.<\/p>\n\n\n\n<p>Para esta ideologia, se algu\u00e9m tiver a infelicidade de coincidir em uma dada categoria, j\u00e1 basta para ser acusado de opressor, criminoso em potencial, e ter sua dignidade relativizada, n\u00e3o importando quais a\u00e7\u00f5es concretas que esse indiv\u00edduo realizou. N\u00e3o h\u00e1 o benef\u00edcio da d\u00favida, a condena\u00e7\u00e3o \u00e9 sum\u00e1ria, pois se considera que s\u00e3o portadores de males intr\u00ednsecos.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente, se algu\u00e9m coincidir em uma determinada categoria aceita e chancelada pelo grupo que se autoproclama como refer\u00eancia de justi\u00e7a, estar\u00e1 isento de qualquer responsabilidade de suas a\u00e7\u00f5es concretas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, a consci\u00eancia e a personalidade individual s\u00e3o dilu\u00eddas em uma coletividade pr\u00e9-fabricada: n\u00e3o importa mais o que o indiv\u00edduo fez ou agiu, pois o que de fato importa \u00e9 em qual categoria ele pertence. J\u00e1 vimos isso antes. Foi Stalin quem afirmou que no socialismo sovi\u00e9tico n\u00e3o existiria algo t\u00e3o inc\u00f4modo quanto a consci\u00eancia individual. As tiranias do s\u00e9culo XX utilizam tal premissa, pois sabem que a consci\u00eancia individual \u00e9 a arma mais poderosa contra o poder pol\u00edtico coercitivo, especialmente quando se associam e criam organiza\u00e7\u00f5es independentes. Faz parte da natureza da tirania que n\u00e3o haja d\u00favidas sobre ela mesma, estabelecendo-se uma cren\u00e7a cega baseada no medo de pensar ou falar. Todos os que ainda ousam pensar e questionar as decis\u00f5es e a\u00e7\u00f5es do governo estabelecido s\u00e3o eliminados: acabam com sua reputa\u00e7\u00e3o ou com sua vida. A utiliza\u00e7\u00e3o de categorias depreciativas contra os resistentes \u00e9 uma das maneiras mais utilizadas para iniciar esse processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, as categorias s\u00e3o importantes e \u00fateis, pois t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de classificar conjuntos de seres ou objeto que possuem em comum certa qualidade ou atributo. Mas quando aplicadas como um recurso de estrat\u00e9gia pol\u00edtica de monopoliza\u00e7\u00e3o do poder, servem como uma forma de relativizar a dignidade humana, classificando entre os mais dignos e os menos dignos, encontrando nesta classifica\u00e7\u00e3o o pretexto para agir violentamente contra os \u201cmenos dignos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Se levarmos \u00e0 s\u00e9rio a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, que em seu pre\u00e2mbulo diz que \u201c&#8230; o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da fam\u00edlia humana e de seus direitos iguais e inalien\u00e1veis \u00e9 o fundamento da liberdade, da justi\u00e7a e da paz no mundo\u201d, ent\u00e3o precisamos ter a firme postura de afirmar que a dignidade humana \u00e9 absoluta e inegoci\u00e1vel, e nos opormos a quaisquer projetos de poder que classifique arbitrariamente as pessoas em categorias por conveni\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que est\u00e1 surgindo (ou ressurgindo) em nossa \u00e9poca \u00e9 a legitima\u00e7\u00e3o de uma \u00e9tica seletiva de acordo com atributos categoriais nos quais cada indiv\u00edduo se enquadra. 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