{"id":2651,"date":"2021-02-23T20:06:41","date_gmt":"2021-02-23T23:06:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.admethics.com\/?p=2651"},"modified":"2021-02-23T20:06:42","modified_gmt":"2021-02-23T23:06:42","slug":"ethics-and-technology-part-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/ethics-and-technology-part-1\/2021\/","title":{"rendered":"\u00c9tica e Tecnologia \u2013 Parte 1"},"content":{"rendered":"\n<p>Existe um senso comum do que \u00e9 a tecnologia, e embora n\u00e3o esteja equivocado em sua totalidade, n\u00e3o reflete a profundidade e complexidade que abrangem suas defini\u00e7\u00f5es \u2013 que por sinal est\u00e3o longe de alcan\u00e7ar consenso. As primeiras associa\u00e7\u00f5es \u00e0 tecnologia remetem a dispositivos de \u201c\u00faltima gera\u00e7\u00e3o\u201d, carros e constru\u00e7\u00f5es modernas, entre outros. De acordo com Heidegger, a tecnologia \u00e9 uma maneira de saber, de descobrir a natureza oculta das coisas. Para os autores Bigelow(1829) e Ropohl (1992) a &#8220;tecnologia&#8221; n\u00e3o denota somente um dom\u00ednio da atividade humana (como criar ou projetar),ou um dom\u00ednio de objetos (inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, como pain\u00e9is solares), mas um dom\u00ednio do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A tecnologia \u00e9, ent\u00e3o, a forma onde o ser humano encontra meios e maneiras de realizar sua exist\u00eancia, \u00e9 o sinal da rea\u00e7\u00e3o humana ao seu ambiente ao n\u00e3o se resignar ao mundo como ele \u00e9. Ou seja, a tecnologia \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o do homem sobre a natureza ou diante das circunst\u00e2ncias. Para Ortega y Gasset (1995), a tecnologia passa por dois est\u00e1gios distintos: 1. O desejo inventivo ou criativo que define um programa ou atitude em rela\u00e7\u00e3o ao mundo que o homem deseja realizar, de acordo com suas necessidades; e 2. A realiza\u00e7\u00e3o material desse programa por meio de certas t\u00e9cnicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando os aspectos que envolvem os processos tecnol\u00f3gicos na atualidade, cabe questionar qu\u00e3o \u00e9ticos estes s\u00e3o. Embora assumindo distintas formas e m\u00faltiplas atua\u00e7\u00f5es, a tecnologia e seus processos est\u00e3o presentes em cada dimens\u00e3o da vida humana, cabendo ent\u00e3o refletir se seu desenvolvimento respeita o ser humano e sua individualidade. O insistente apelo \u00e0 neutralidade da tecnologia \u00e9 um dos resultados da constante esquiva das implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas no campo tecnol\u00f3gico; sabendo-se que o uso da tecnologia n\u00e3o \u00e9 moralmente neutro. Dois grandes pensadores \u2013 o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Hans Jonas (2015) e Jacques Ellul (1964) trabalharam a rela\u00e7\u00e3o existente entre a \u00e9tica e tecnologia sob duas distintas e interessantes perspectivas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fato que novos tipos e novas dimens\u00f5es de a\u00e7\u00f5es requerem uma atitude \u00e9tica, assim sendo, a Heur\u00edstica do Medo, de Hans Jonas (2015), considera sempre as piores consequ\u00eancias de um empreendimento tecnol\u00f3gico, ou seja, o fil\u00f3sofo ponderou que o sentimento de temor resulta numa atitude prudente diante das constantes inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, tendo por objetivo evitar progn\u00f3sticos desfavor\u00e1veis ao ser humano. Jacques Ellul (1964) abordou a \u00c9tica do N\u00e3o-Poder, onde prop\u00f4s a limita\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria do poder da t\u00e9cnica e tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda pr\u00e1tica de \u00e9tica deve se concentrar na situa\u00e7\u00e3o factual, de forma que a dimens\u00f5es moral e \u00e9tica n\u00e3o podem mais ser isoladas dos demais aspectos da exist\u00eancia humana. De acordo com Langdom Winner, os engenheiros est\u00e3o convencidos de que a tecnologia \u00e9 neutra e que os mesmos, de certa maneira, se orgulham de sua incapacidade ou indisposi\u00e7\u00e3o de falar sobre preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9ticas. O autor finaliza acrescentando que nenhum estudante inicia a vida letiva com o prop\u00f3sito de construir bombas de hidrog\u00eanio, aprender m\u00e9todos que ensinam t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o de carcin\u00f3genos ambientais ou ainda, ajudar empresas automobil\u00edsticas a decidir se se \u00e9 rent\u00e1vel substituir tanques de gasolina que explodem com o impacto. Nenhum dos estudantes entram numa faculdade de engenharia afirmando objetivos como esses. Por\u00e9m, o que acabam fazendo quando saem a procura de emprego?<\/p>\n\n\n\n<p>A tecnologia e seu alcance s\u00e3o amplos, e cada aspecto de seu desempenho merece atento olhar sob a perspectiva \u00e9tica. Embora com resultados \u00fateis e facilitadores ao ser humano, muitas das consequ\u00eancias do que foi produzido at\u00e9 aqui tem sido prejudicial \u00e0 sua integridade. Cabe, contudo, dar prosseguimento na discuss\u00e3o e encontrar poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es \u00e9ticas aos empreendimentos tecnol\u00f3gicos de tal forma que haja responsabilidade, coer\u00eancia e prud\u00eancia em cada uma de suas etapas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>BIGELOW, J. 1829.<strong> Elements of Technology<\/strong>, 2nd ed. Boston: Hilliard, Gray, Little &amp; Wilkins.<\/p>\n\n\n\n<p>ELLUL, J. <strong>The technological society<\/strong>. New York: Alfred Knopf, 1964.<\/p>\n\n\n\n<p>JONAS, H. <strong>O Princ\u00edpio Responsabilidade<\/strong>. Ensaio de uma \u00e9tica para a civiliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Rio de Janeiro: Contraponto; Ed. PUC-Rio, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>ROPOHL, G.: 1992,&nbsp;<em><strong>Philosophy of Technological Education<\/strong><\/em>, in Blandow\/Dyrenfurth, 74\u201379.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe um senso comum do que \u00e9 a tecnologia, e embora n\u00e3o esteja equivocado em sua totalidade, n\u00e3o reflete a profundidade e complexidade que abrangem suas defini\u00e7\u00f5es \u2013 que por sinal est\u00e3o longe de alcan\u00e7ar consenso. As primeiras associa\u00e7\u00f5es \u00e0 tecnologia remetem a dispositivos de \u201c\u00faltima gera\u00e7\u00e3o\u201d, carros e constru\u00e7\u00f5es modernas, entre outros. 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