{"id":2505,"date":"2020-11-09T20:43:10","date_gmt":"2020-11-09T23:43:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.admethics.com\/?p=2505"},"modified":"2020-11-09T20:56:37","modified_gmt":"2020-11-09T23:56:37","slug":"the-virtue-ethics-approach-in-administration","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/the-virtue-ethics-approach-in-administration\/2020\/","title":{"rendered":"A \u00e9tica das virtudes na Administra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Como afirmou o professor de Teoria das Organiza\u00e7\u00f5es do IESE Business School (Universidade de Navarra, Espanha), Juan Antonio P\u00e9rez L\u00f3pez (1912-1996), \u201ca ci\u00eancia n\u00e3o pode ter outro objeto sen\u00e3o ajudar os seres humanos a tomarem as decis\u00f5es corretas\u201d. Tais decis\u00f5es podem ter um suporte t\u00e9cnico ou tecnol\u00f3gico, cujo crit\u00e9rio \u00e9 a adequa\u00e7\u00e3o dos meios\/recursos aos fins organizacionais \u2013 dentro dos limites cognitivos inerentes a esse processo \u2013, e tendo como objetivo primordial a sobreviv\u00eancia e o crescimento organizacional. Entretanto, tamb\u00e9m essas decis\u00f5es podem estar amparadas na \u00e9tica, que busca conciliar os bens, as normas e as virtudes com vistas ao crescimento do ser humano, tanto no \u00e2mbito individual quanto organizacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas decis\u00f5es \u2013 com suporte tecnol\u00f3gico e \u00e9tico \u2013 podem ser mutuamente excludentes ou coincidentes. \u00c9 mais comum considerar que a esfera econ\u00f4mica \u2013 e a Administra\u00e7\u00e3o inclusa \u2013 limita a \u00e9tica como um saber pr\u00e1tico que cultiva as virtudes para a autorrealiza\u00e7\u00e3o humana (<em>eudaimonia<\/em>). Alguns mais incisivos diriam que a esfera econ\u00f4mica \u2013 ou especificamente o mercado \u2013 corr\u00f3i ou corrompe qualquer tra\u00e7o de eticidade, moralidade ou car\u00e1ter. Portanto, necessita-se de um aparato de controle desde fora cada vez mais sofisticado \u2013 como a burocracia (e seus v\u00e1rios disfarces), regulamenta\u00e7\u00f5es institucionais, invas\u00f5es de privacidade (\u00e0s vezes sutis) por empresas e governos, incentivos (muitas vezes n\u00e3o declarados) para mudan\u00e7a de comportamento individual e social, entre outros \u2013 de modo que as pessoas realizem certos objetivos organizacionais ou econ\u00f4micos. Por\u00e9m, h\u00e1 um pressuposto latente que perpassa essa vis\u00e3o e que, por ironia, \u00e9 um pressuposto \u00e9tico, embora reducionista: o comportamento humano se fundamenta primordialmente no autointeresse. Devido a isso, considera-se que a liberdade est\u00e1 desvinculada da responsabilidade e, portanto, a pessoa necessita ser tutelada para se promover o interesse coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente, a abordagem da \u00e9tica das virtudes na Administra\u00e7\u00e3o considera que decis\u00f5es com suporte tecnol\u00f3gico e \u00e9tico podem coincidir ou, indo al\u00e9m, \u00e9 desej\u00e1vel que coincida, pois nos humanizamos na medida em que agimos eticamente, seja em que esfera for. E \u201cagir eticamente\u201d significa buscar a autorrealiza\u00e7\u00e3o, ou seja, melhorar em virtudes de modo que <em>saibamos<\/em> decidir (intelig\u00eancia ou raz\u00e3o) e <em>queiramos<\/em> escolher (vontade) os bens materiais e imateriais necess\u00e1rios ao nosso crescimento e dos outros, bem como discernir sobre as leis e normas justas que auxiliam na orienta\u00e7\u00e3o de nossa conduta. Um problema real que esta abordagem enfrenta n\u00e3o \u00e9 necessariamente sobre como tomar boas e melhores decis\u00f5es de maneira circunstancial, mas o de adquirir capacidades \u2013 ou h\u00e1bitos operativos est\u00e1veis \u2013 para que seja poss\u00edvel ao agente sempre (ou na maioria das vezes) tomar boas decis\u00f5es e ter a coer\u00eancia de agir conforme essas decis\u00f5es. Tais capacidades podem ser denominadas de virtudes morais ou compet\u00eancia moral e, na medida em que se desenvolvem no agente, os benef\u00edcios podem se espraiar pela organiza\u00e7\u00e3o ou pela vida humana associada, pois, paradoxalmente, as virtudes do agente n\u00e3o se confinam apenas nele mesmo, principalmente se possui um papel de lideran\u00e7a ou est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o organizacional ou social mais determinante (de uma perspectiva da teoria de redes sociais). Deste modo, a \u00e9tica das virtudes procura estabelecer o v\u00ednculo entre o agente e sua a\u00e7\u00e3o, jogando luzes em <em>quem o agente se torna<\/em> \u00e0 medida que age, ou seja, h\u00e1 uma dimens\u00e3o de aprendizagem moral e desenvolvimento do car\u00e1ter do agente. Em outras palavras, o objetivo da \u00e9tica das virtudes \u00e9 nos tornarmos pessoas melhores (<em>human flourishing<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>* Esta \u00e9 uma vers\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o do livro &#8216;Virtudes e Dilemas Morais na Administra\u00e7\u00e3o&#8217;, organizado por Mauricio C. Serafim (AdmEthics, 2020 &#8211; no prelo). Publica\u00e7\u00e3o prevista para novembro de 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como afirmou o professor de Teoria das Organiza\u00e7\u00f5es do IESE Business School (Universidade de Navarra, Espanha), Juan Antonio P\u00e9rez L\u00f3pez (1912-1996), \u201ca ci\u00eancia n\u00e3o pode ter outro objeto sen\u00e3o ajudar os seres humanos a tomarem as decis\u00f5es corretas\u201d. 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