{"id":2474,"date":"2020-10-19T11:38:38","date_gmt":"2020-10-19T14:38:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.admethics.com\/?p=2474"},"modified":"2021-02-23T20:38:34","modified_gmt":"2021-02-23T23:38:34","slug":"virtue-ethics-as-a-perspective-for-common-good-and-public-happiness","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/virtue-ethics-as-a-perspective-for-common-good-and-public-happiness\/2020\/","title":{"rendered":"\u00c9tica das Virtudes como perspectiva para o bem comum e a felicidade p\u00fablica"},"content":{"rendered":"\n<p>Neste artigo, procura-se discutir a possibilidade de a \u00e9tica das virtudes ser uma alternativa mais compreensiva e aprofundada para tratar de quest\u00f5es morais, inclusive para considerar seus reflexos no alcance do bem comum e para a felicidade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos em <em>business ethics<\/em> t\u00eam demonstrado um crescente interesse pela \u00e9tica das virtudes como abordagem apropriada para compreender a conduta \u00e9tica nos ambientes de neg\u00f3cios e organizacionais (Alzola, 2015). Quando as quest\u00f5es abordadas s\u00e3o de escopo corporativo ou em n\u00edvel macro, como a sociedade, alguns estudos optam por articular outras perspectivas, como a abordagem de <em>compliance<\/em> (Calder\u00f3n, Pi\u00f1ero &amp; Red\u00edn, 2018), ou outras de fundamentos mais legalistas, deontol\u00f3gicos ou consequencialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte dessa tend\u00eancia pode ser fruto de dois elementos que poderiam ser investigados, para os quais podemos encontrar alguns estudos no campo de <em>business ethics<\/em>: (1) a rela\u00e7\u00e3o da \u00e9tica das virtudes com o bem comum e a felicidade, e (2) a centralidade do mercado e o senso-comum que as pessoas s\u00e3o motivadas apenas pelo auto interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da perspectiva da \u00e9tica das virtudes com o bem comum e a felicidade (<em>Eudaimonia<\/em> ou florescimento humano), ambos elementos integrantes na tradi\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica-tomista da \u00e9tica das virtudes. Estudos modernos sobre a felicidade tendem a negligenciar a abordagem da \u00e9tica das virtudes ou considerar uma vers\u00e3o reduzida de seus fundamentos (Alzola, 2015). Especialmente, poucos pesquisadores do tema da felicidade consideram o papel das virtudes para alcan\u00e7ar a felicidade (Sison, 2016). Apesar da cren\u00e7a altamente disseminada, a felicidade n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ada por um indiv\u00edduo isolado. Parte dela depende da qualidade das institui\u00e7\u00f5es que intermediam a rela\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduos e o ambiente. Diferen\u00e7as nas institui\u00e7\u00f5es, em termos de regras e costumes, contam na varia\u00e7\u00e3o de felicidade. Diferentes regimes, possibilidade de participa\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, s\u00e3o outros aspectos discutidos por Sison (2016).<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo, pela centralidade que se deu ao mercado como enclave para o entendimento das intera\u00e7\u00f5es e viv\u00eancias humanas em outras esferas da vida, como problematizado por Ramos (1989) quando apresenta a Teoria da Delimita\u00e7\u00e3o dos Sistema Sociais. Um aspecto percebido tanto por te\u00f3ricos em Administra\u00e7\u00e3o como por autores mais pr\u00f3ximos da \u00e1rea de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, \u00e9 a no\u00e7\u00e3o predominante de <em>homo economicus<\/em> que se atribuiu ao ser humano enquanto participante nas pr\u00e1ticas de mercado e organizacionais. Al\u00e9m disso, a centralidade do mercado na realidade vivida prevalece em muitas culturas, como no contexto brasileiro (Ramos, 1989). Uma possibilidade que poderia melhorar a contribui\u00e7\u00e3o para o estudo em <em>business ethics<\/em> pode ser a perspectiva da Economia Civil ou ainda a teoria da d\u00e1diva de Marcel Mauss (2003) e Caill\u00e9 (2002), para falarmos de princ\u00edpios como reciprocidade, relacionalidade e a subsidiariedade, a fim de ser poss\u00edvel considerar a felicidade p\u00fablica. (relacionando os conceitos de bem comum e felicidade p\u00fablica).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante explicitar o potencial que a \u00e9tica das virtudes pode oferecer para se entender n\u00e3o somente a \u00e9tica de primeira pessoa, mas como perspectiva para refletirmos sobre as rela\u00e7\u00f5es entre <em>stakeholders<\/em>, as redes de governan\u00e7a e a coprodu\u00e7\u00e3o de bens p\u00fablicos. A perspectiva macintyreana pode nos oferecer um arcabou\u00e7o te\u00f3rico-anal\u00edtico que permite considerar os in\u00fameros papeis que cada agente ocupa no tecido social e como suas pr\u00e1ticas podem contribuir para a melhoria de aspectos mais amplos, como institui\u00e7\u00f5es e o alcance do bem comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal possibilidade surgiu ap\u00f3s a leitura do pref\u00e1cio escrito por Stefano Zamagni para o livro <em>Happiness and Virtue Ethics in Business,<\/em> de Alejo Sison (2016). Em uma disciplina de Sociologia Econ\u00f4mica, ministrada pelo professor Maur\u00edcio Serafim no programa de Mestrado em Administra\u00e7\u00e3o da Udesc &#8211; Esag, tivemos a oportunidade de estudar em profundidade a escola italiana de Economia Civil (Bruno &amp; Zamagni, 2010), bem como a teoria da d\u00e1diva. Esses pontos exemplificados pelas abordagens sociol\u00f3gicas de Ramos (1989), Mauss (2002) e Caill\u00e9 (2003), da d\u00e1diva e da economia civil, podem indicar pontos de interliga\u00e7\u00e3o entre a perspectiva da \u00e9tica das virtudes e abordagens sociol\u00f3gicas, as quais possibilitariam um estudo sobre seus reflexos para o bem comum e para a felicidade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong>:<\/h4>\n\n\n\n<p>Alzola, M. (2015). Virtuous Persons and Virtuous Actions in Business Ethics and Organizational Research. <em>Business Ethics Quarterly, 25<\/em>(3), pp. 287-318.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno, L &amp; Zamagni, S. (2010). <em>Economia civil: efici\u00eancia, equidade, felicidade p\u00fablica<\/em>. Trad. Cordas, D. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova.<\/p>\n\n\n\n<p>Caill\u00e9, A. (2002). <em>Antropologia do dom: o terceiro paradigma<\/em>. Trad. Alves, E. F. Petr\u00f3polis (RJ): Vozes.<\/p>\n\n\n\n<p>Calder\u00f3n, R., Pi\u00f1ero, R. &amp; Red\u00edn, D. (2018). Can compliance restart integrity? Toward a harmonized approach. The example of the audit committee. <em>Business Ethics: A European Review, 27<\/em>(2), pp. 195-206.<\/p>\n\n\n\n<p>Mauss, M. (2003). <em>Sociologia e Antropologia<\/em>. Trad. Neves, P. S\u00e3o Paulo: Cosac Naify.<\/p>\n\n\n\n<p>Ramos, A. G. (1989). <em>A nova ci\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es: uma reconceitua\u00e7\u00e3o da riqueza das na\u00e7\u00f5es.<\/em> Trans. Mary Cardoso. 2nd ed. RJ: Editora da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas. R<\/p>\n\n\n\n<p>Sison, A. J. G. (2016). <em>Happiness and Virtue Ethics in Business: The ultimate Value Proposition.<\/em> Cambridge: Cambridge University Press.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste artigo, procura-se discutir a possibilidade de a \u00e9tica das virtudes ser uma alternativa mais compreensiva e aprofundada para tratar de quest\u00f5es morais, inclusive para considerar seus reflexos no alcance do bem comum e para a felicidade p\u00fablica. 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