{"id":1684,"date":"2019-11-12T17:45:57","date_gmt":"2019-11-12T17:45:57","guid":{"rendered":"https:\/\/admethics.com\/?p=1684"},"modified":"2021-02-23T20:24:04","modified_gmt":"2021-02-23T23:24:04","slug":"virtues-and-our-relationships","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/virtues-and-our-relationships\/2019\/","title":{"rendered":"As Virtudes e nossas rela\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p>Ao refletirmos sobre a vida, sobre as a\u00e7\u00f5es pessoais e nos fatos\nacontecidos em nossa volta, nos perguntamos o que poder\u00e1 nos proporcionar uma\nvida mais feliz, e, frequentemente, pensamos que nossa rela\u00e7\u00f5es influenciam\npara esta felicidade, e tamb\u00e9m, em como a conviv\u00eancia social seria mais f\u00e1cil e\ntranquila se as quest\u00f5es morais e a \u00e9tica fossem preocupa\u00e7\u00f5es comuns. <\/p>\n\n\n\n<p>Ao pensarmos em a\u00e7\u00f5es morais e em teorias \u00e9ticas surgem algumas\nquest\u00f5es, tais como: Quanto nossas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o morais? Qual teoria \u00e9tica devo\nseguir? A\u00e7\u00f5es morais e \u00e9tica realmente ir\u00e3o contribuir positivamente em minhas\nrela\u00e7\u00f5es pessoais e profissionais?<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que nossa moralidade deve ser uma preocupa\u00e7\u00e3o constantemente,\numa reflex\u00e3o incessante de nossos atos, assim como o reconhecimento de quais\nregras sociais nos permitimos e aceitamos como certa, certamente o quanto nos\npreocupamos com os outros tamb\u00e9m \u00e9 fundamental. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Imagino que as diversas teorias\n\u00e9ticas nas fazem refletir sobre nossas a\u00e7\u00f5es em diferentes perspectivas, assim\ncomo sobre as a\u00e7\u00f5es alheias. Por\u00e9m, sempre h\u00e1 aquela que se destaca em algum\nmomento, aquela se torna preferida. As prefer\u00eancias n\u00e3o se d\u00e3o somente nas\nescolhas pessoais, que regem nossos conv\u00edvios com a fam\u00edlia e amigos, mas\ntamb\u00e9m no \u00e2mbito profissional dentro das organiza\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s de suas rela\u00e7\u00f5es\ne decis\u00f5es, e n\u00e3o necessariamente elas coincidir\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as teorias \u00e9ticas mais reconhecidas me concentrarei na\n\u00e9tica das virtudes que \u00e9 a que tem chamado a aten\u00e7\u00e3o, nos \u00faltimos anos, dos\nestudiosos sobre o assunto. Sempre que penso sobre as virtudes me surgem v\u00e1rias\nquest\u00f5es, por exemplo: Qual o significado de virtudes? H\u00e1 algum grau de\nhierarquia sobre elas? Se h\u00e1, como defino isso? Temos que preferir algumas e\nesquecer outras? Se h\u00e1 algumas mais importantes do que outras, como defino as\nprioridades? <\/p>\n\n\n\n<p>Algum tempo atr\u00e1s teria listado algumas virtudes como as mais\nimportantes, que seriam aquelas que normalmente escolhemos, como se fosse um\nsenso comum, sem muitas explica\u00e7\u00f5es e com pouca profundidade de reflex\u00e3o. Por\u00e9m\nhoje, percebo que algumas das virtudes que foram esquecidas ou simplesmente\nignoradas, tamb\u00e9m s\u00e3o muito valorosas. <\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que cada virtude tenha a sua import\u00e2ncia, e que muitas\nvezes n\u00e3o desenvolveremos uma sem a depend\u00eancia do desenvolvimento de outras.\nPercebemos que algumas se destacam como se fossem o carro chefe do agir, e\ntalvez o sejam mesmo, como \u00e9 o caso da <em>phronesis<\/em>; coragem; honestidade, entre\noutras. Percebo, agora, que necessitamos pensar n\u00e3o somente na sua import\u00e2ncia,\nmas tamb\u00e9m em conhec\u00ea-las e saber qual priorizar em determinada circunst\u00e2ncia. <\/p>\n\n\n\n<p>Imagino como seria bom ter em nossos conv\u00edvios, mais das virtudes\ncomo docilidade, compaix\u00e3o e amor; com certeza n\u00e3o nos esquecer\u00edamos da\njusti\u00e7a, honestidade, integridade, entre outras, mas as complementar\u00edamos. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando Arist\u00f3teles escreveu sobre as virtudes, se referiu a elas como\num \u201ccaminho\u201d para chegar ao Bem, a Vida Boa, e a Felicidade. Diferenciou-as\nentre virtudes da intelig\u00eancia e as virtudes morais, deixando claro a\ndepend\u00eancia destas sobre aquelas (MARQUES, 2001). Naquele momento n\u00e3o havia a\nnecessidade de categorizar a utiliza\u00e7\u00e3o das virtudes, como no caso das\norganiza\u00e7\u00f5es, por\u00e9m vivemos num momento diferente, onde as an\u00e1lises e reflex\u00f5es\nperpassam por diferentes \u00e1reas do conhecimento. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hooft (2013, p. 187) coloca que definir uma virtude empregada \u00e9 um\nato complexo, porque \u00e9 necess\u00e1rio conhecer a inten\u00e7\u00e3o do agente, sendo que nem\nsempre o que vejo (que \u00e9 o resultado da a\u00e7\u00e3o) condiz com o motivo (aquilo que a\ndefine). Ele coloca, por exemplo, que distinguir claramente se um ato \u00e9 de\nbondade ou de compaix\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil \u201c[&#8230;] a maneira como esculpimos\nconceitualmente os fen\u00f4menos do comportamento humano virtuoso em classifica\u00e7\u00f5es\nde virtude espec\u00edficas \u00e9 altamente complexa e provavelmente relativa \u00e0 cultura.\u201d\nO autor menciona que, diferentemente do grego, a l\u00edngua portuguesa permite\ndiferencia\u00e7\u00f5es sutis, onde uma categoria de virtude permite a exist\u00eancia de\nsubcategorias, como \u00e9 o caso da integridade que pode significar a\u00e7\u00f5es honestas\nou reflex\u00f5es aut\u00eanticas sobre sim mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com as dificuldades apresentadas, \u00e9 apropriado sabermos de\nsuas exist\u00eancias e de como \u00e9 poss\u00edvel melhorar as rela\u00e7\u00f5es. S\u00f3 as conhecendo \u00e9\nque poderemos distinguir e escolher as virtudes adequadas a dada situa\u00e7\u00e3o. E s\u00f3\nconhecendo a si mesmo, saber qual s\u00e3o nossas aptid\u00f5es e fraquezas \u00e9 que seremos\ncapazes de melhorar nossos conv\u00edvios, almejando a vida boa, o bem e a\nfelicidade. Afinal de contas, n\u00e3o somos t\u00e3o diferentes de Arist\u00f3teles, todos\nbuscamos viver bem e almejamos a felicidade.&nbsp;\n&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Klaus Schwab (2016), fundador e diretor executivo da World\nEconomic Forum, mencionou sua percep\u00e7\u00e3o sobre a Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, que\nela \u201c[&#8230;] mudar\u00e1 n\u00e3o apenas o que fazemos, mas tamb\u00e9m quem somos.\u201d Mesmo sendo\num entusiasta da tecnologia, ele teme que a integra\u00e7\u00e3o da tecnologia \u00e0s nossas\nvidas possa diminuir algumas das capacidades humanas, como a compaix\u00e3o e a\ncoopera\u00e7\u00e3o. Ele coloca que no final de tudo, tudo se resume em pessoas e\nvalores, e admite a possibilidades de que natureza humana seja \u201crobotizada\u201d\nprivando-nos de cora\u00e7\u00e3o e alma, mas tamb\u00e9m existe a possibilidade de que\nsejamos \u201cmelhorados\u201d acentuando a criatividade e empatia, elevando a humanidade\na uma nova consci\u00eancia coletiva e moral, cabe a n\u00f3s decidir o que prevalecer\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei se d\u00e1 para afirmar que as virtudes na atualidade s\u00e3o mais\nimportantes do que foram em outros tempos, mas \u00e9 dif\u00edcil discordar da sua\nimport\u00e2ncia nas rela\u00e7\u00f5es se quisermos atingir a vida boa e a felicidade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>HOOFT, Stan\nVan. <strong>A \u00e9tica das virtudes<\/strong>. Petr\u00f3polis, Vozes, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>MARQUES,\nRamiro. <strong>O livro das virtudes de sempre<\/strong>: \u00e9tica para professores. S\u00e3o\nPaulo: Landy, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>SCHWAB,\nKlaus. A quarta revolu\u00e7\u00e3o\nindustrial: o que significa, como responder. 2016. World Economic Forum.\nDispon\u00edvel em:\nhttps:\/\/www.weforum.org\/agenda\/2016\/01\/the-fourth-industrial-revolution-what-it-means-and-how-to-respond.\nAcesso em: 08 nov. 2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao refletirmos sobre a vida, sobre as a\u00e7\u00f5es pessoais e nos fatos acontecidos em nossa volta, nos perguntamos o que poder\u00e1 nos proporcionar uma vida mais feliz, e, frequentemente, pensamos que nossa rela\u00e7\u00f5es influenciam para esta felicidade, e tamb\u00e9m, em como a conviv\u00eancia social seria mais f\u00e1cil e tranquila se as quest\u00f5es morais e a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":1693,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6],"tags":[152,151,228,227,127,129],"class_list":["post-1684","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-articles","category-opinion","tag-aristoteles","tag-aristotle","tag-relacoes","tag-relationships","tag-virtudes","tag-virtues"],"translation":{"provider":"WPGlobus","version":"3.0.2","language":"br","enabled_languages":["en","br"],"languages":{"en":{"title":true,"content":true,"excerpt":false},"br":{"title":true,"content":true,"excerpt":false}}},"blog_post_layout_featured_media_urls":{"thumbnail":["https:\/\/www.admethics.com\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/people-in-circle-1024x640-1-150x150.jpg",150,150,true],"full":["https:\/\/www.admethics.com\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/people-in-circle-1024x640-1.jpg",1170,400,false]},"categories_names":{"3":{"name":"Articles","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/category\/articles\/"},"6":{"name":"Opinion","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/category\/opinion\/"}},"tags_names":{"152":{"name":"Arist\u00f3teles","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/aristoteles\/"},"151":{"name":"Aristotle","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/aristotle\/"},"228":{"name":"rela\u00e7\u00f5es","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/relacoes\/"},"227":{"name":"relationships","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/relationships\/"},"127":{"name":"virtudes","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/virtudes\/"},"129":{"name":"virtues","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/tag\/virtues\/"}},"comments_number":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1684"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1684\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2746,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1684\/revisions\/2746"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1693"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}