{"id":1374,"date":"2019-09-06T12:37:25","date_gmt":"2019-09-06T12:37:25","guid":{"rendered":"https:\/\/admethics.com\/?p=1374"},"modified":"2019-11-28T18:27:24","modified_gmt":"2019-11-28T21:27:24","slug":"the-p-and-n-theories-in-ethical-thought","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/the-p-and-n-theories-in-ethical-thought\/2019\/","title":{"rendered":"As teorias P e N no pensamento \u00e9tico"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 mais de 50 anos, Alberto Guerreiro\nRamos escreveu um artigo em que discutia duas formas de pensamento sobre o\nproblema da moderniza\u00e7\u00e3o das sociedades, \u00e0s quais intitulou Teoria N e Teoria\nP. Basicamente, por \u201cTeoria N\u201d ele queria dizer uma forma de pensamento em que\ntoda sociedade, por uma lei de necessidade hist\u00f3rica, busca alcan\u00e7ar o est\u00e1gio\ndas sociedades desenvolvidas seguindo-lhes os passos, e, por \u201cTeoria P\u201d, a\nideia de que n\u00e3o existe uma \u201clocaliza\u00e7\u00e3o\u201d da modernidade e que cada na\u00e7\u00e3o pode\nmodernizar-se conforme uma trajet\u00f3ria pr\u00f3pria. Ou seja, Ramos combatia a ideia\nde um modelo \u00fanico de desenvolvimento e defendia a liberdade das diferentes\nna\u00e7\u00f5es em termos de formular e buscar trajet\u00f3rias de moderniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por instigante que seja a dicotomia\nproposta, Ramos n\u00e3o parece ter sido bem-sucedido em termos de divulg\u00e1-la ao\nmundo; como um exemplo, percebe-se entre os te\u00f3ricos da Nova Economia\nInstitucional, ainda pouco divulgada e discutida nos anos 60, o uso de modelos\nde <em>path dependence<\/em> para o entendimento dos processos de desenvolvimento.\nAinda assim, deseja-se recuperar as teorias P e N e discuti-las brevemente no\ncontexto da \u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sabido que muitas das grandes correntes\ndo pensamento \u00e9tico aspiram \u00e0 universalidade de seus princ\u00edpios. Kant, por\nexemplo, ao formular seu imperativo categ\u00f3rico, afirma ser este o princ\u00edpio\nmoral que qualquer pessoa racional iria adotar; Bentham estabeleceu um\nprinc\u00edpio de utilidade que tamb\u00e9m se pretende universalmente v\u00e1lido, mas focalizou\nsua aten\u00e7\u00e3o nos resultados da a\u00e7\u00e3o. Ambas, portanto, colocam o \u00e9tico como o\nnecess\u00e1rio. Apenas a \u00e9tica aristot\u00e9lica das virtudes parece se abrir para a\nideia das possibilidades, pois, embora as virtudes sejam necess\u00e1rias, sua\naplica\u00e7\u00e3o em contextos diferentes n\u00e3o segue uma f\u00f3rmula previamente\nestabelecida. Assim, pensando-se em termos \u00e9ticos, uma a\u00e7\u00e3o moralmente aprovada\n\u00e9 a mesma em todos os casos conforme Kant e Bentham, ao passo que, para\nArist\u00f3teles, \u00e9 preciso fazer uma reflex\u00e3o racional em cada situa\u00e7\u00e3o sobre o que\npode ser considerado virtuoso e, portanto, moral.<\/p>\n\n\n\n<p>As teorias do tipo N s\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o,\nfortemente deterministas; as do tipo P enfatizam a liberdade, que Ramos faz\nquest\u00e3o de n\u00e3o contrapor ao determinismo: segundo sua an\u00e1lise, determinismo sem\nliberdade \u00e9 fatalismo, e liberdade sem algum determinismo recai no niilismo. Ao\nse aplicar essa reflex\u00e3o ao pensamento \u00e9tico, tem-se que uma teoria moral que\ninsiste no necess\u00e1rio limita a liberdade do ser humano (mesmo que Kant afirme\nque obedecer \u00e0 raz\u00e3o seja a verdadeira liberdade), mas, por outro lado, uma que\ninsista no poss\u00edvel corre o risco de cair num relativismo, pois a a\u00e7\u00e3o moral\nn\u00e3o pode ser reduzida a um <em>fiat<\/em> \u2013 para cada caso, um tipo diferente de\na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, acredita-se poder defender\na virtude como um caminho que concilia a possibilidade e a necessidade. A a\u00e7\u00e3o\nmoral \u00e9 necessariamente virtuosa, e a a\u00e7\u00e3o virtuosa necessariamente conduz \u00e0\nfelicidade \u2013 mas em cada contexto a virtude se exerce de modo diferente e a\nfelicidade \u00e9 definida pela pessoa. O maior problema do relativismo \u00e9 superado\npela exist\u00eancia de uma base s\u00f3lida sobre a qual se constr\u00f3i a \u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta reflex\u00e3o ainda \u00e9 embrion\u00e1ria e\ndemanda maior aprofundamento para que se possa efetivamente discutir os modelos\nda necessidade e da possibilidade no \u00e2mbito do pensamento \u00e9tico.\nDesenvolvimentos posteriores s\u00e3o fundamentais, mas, no momento, \u00e9 irresist\u00edvel\nencerrar com um jogo de palavras: no mundo atual, \u00e9 cada vez menos poss\u00edvel\npensar sobre o bem mas, paradoxalmente, nunca foi t\u00e3o necess\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de 50 anos, Alberto Guerreiro Ramos escreveu um artigo em que discutia duas formas de pensamento sobre o problema da moderniza\u00e7\u00e3o das sociedades, \u00e0s quais intitulou Teoria N e Teoria P. 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