{"id":1085,"date":"2019-04-26T20:49:54","date_gmt":"2019-04-26T20:49:54","guid":{"rendered":"https:\/\/admethics.com\/?p=1085"},"modified":"2021-02-23T20:59:14","modified_gmt":"2021-02-23T23:59:14","slug":"the-act-of-reflection-on-oneself-and-an-outsourcing-of-ethical-responsibility","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/the-act-of-reflection-on-oneself-and-an-outsourcing-of-ethical-responsibility\/2019\/","title":{"rendered":"O ato de refletir sobre si e a terceiriza\u00e7\u00e3o da responsabilidade \u00e9tica."},"content":{"rendered":"\n<p> Dificilmente admitimos o erro e quando o fazemos, geralmente d\u00f3i. O ato do reconhecimento das pr\u00f3prias falhas est\u00e1 intimamente ligado a um espelho que reflete uma imagem que raramente desejamos ver. \u00c9 naturalmente compreens\u00edvel que o ser humano, na grande maioria das vezes, ir\u00e1 se superestimar, mesmo quando isso aparece camuflado na forma de auto piedade \u2013 \u00e9 sim, uma das v\u00e1rias maneiras de se eximir de certas responsabilidades e evitar a\u00e7\u00f5es que movem o indiv\u00edduo de sua zona de conforto e o impulsione \u00e0 mudan\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, a falha raramente est\u00e1 em n\u00f3s. Um pequeno exemplo sobre isso, e que acontece corriqueiramente com quase todos: diante do atraso \u00e0 um compromisso, a justificativa m\u00e1gica e de tamanho universal toma a forma de \u201co tr\u00e2nsito estava terr\u00edvel\u201d, entre tantas outras infind\u00e1veis desculpas que ser\u00e3o dadas a fim do sujeito se eximir de maiores responsabilidades. Afinal de contas, se temos a quem ou o que culpar, porque reconhecer? <\/p>\n\n\n\n<p>Quando se trata de reconhecimento, pode-se dizer que a configura\u00e7\u00e3o atual da sociedade nos exime de toda e qualquer responsabilidade (DALRYMPLE, 2014), abra\u00e7ando certas ideologias pol\u00edticas que posicionam o indiv\u00edduo numa categoria m\u00ednima de \u201cser\u201d humano. Aqui, partimos do pressuposto aristot\u00e9lico que disp\u00f5e o indiv\u00edduo como constituindo tr\u00eas caracter\u00edsticas essenciais da vida sendo elas a vida vegetativa \u2013 nutri\u00e7\u00e3o, crescimento e reprodu\u00e7\u00e3o \u2013 a vida sens\u00edvel \u2013 basicamente contido nas emo\u00e7\u00f5es, \u201co autom\u00e1tico do circuito est\u00edmulo-resposta\u201d \u2013 e por fim, a vida intelectiva \u2013 unicamente pertencente ao homem (STORK; ECHEVARR\u00cdA, 2005). Sob essa perspectiva, o homem \u00e9 capaz de escolher intelectualmente os pr\u00f3prios fins com rea\u00e7\u00f5es n\u00e3o baseadas meramente em sentimentalismo, podendo discernir racionalmente o melhor para si.<\/p>\n\n\n\n<p>Um olhar mais apurado do contexto social e pol\u00edtico no qual estamos inseridos, possibilita concluir que o homem tem sido tratado como se toda sua capacidade m\u00e1xima residisse apenas no n\u00edvel sens\u00edvel, as pol\u00edticas p\u00fablicas, por exemplo, s\u00e3o fruto de uma concep\u00e7\u00e3o rasa do homem. A sociedade tamb\u00e9m abra\u00e7ou esse modo diminutivo de se enxergar e perceber o outro. Nenhuma culpa cabe a si: os r\u00e9us sempre s\u00e3o os outros ou as coisas. Infelizmente, pode-se notar que o caos moral persistente \u00e9 fruto da terceiriza\u00e7\u00e3o da responsabilidade \u00e9tica. Eximindo-se do dever, tudo \u00e9 permitido, n\u00e3o existem mais par\u00e2metros para o certo e o errado, agora \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de \u201cponto de vista\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Numa sociedade onde os princ\u00edpios \u00e9ticos t\u00eam sido renunciados, \u00e9 poss\u00edvel notar o enfraquecimento de preceitos de ordem valorativa e moral do indiv\u00edduo, tornando-o assim, uma simples ferramenta de ideologias que jamais ter\u00e3o por objetivo torna-lo transcendente e capaz de decidir racionalmente as circunst\u00e2ncias da pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o reconhecimento um dos mais importantes passos para a execu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es \u00e9ticas. Nele \u00e9 necess\u00e1rio o doloroso e construtivo processo de olhar para dentro, sob uma perspectiva realista, deixando de lado proposi\u00e7\u00f5es fantasiosas sobre si. \u00c9 o reconhecimento que pode provocar a metamorfose das atitudes e \u00e9 nesse processo que se desenvolve a for\u00e7a para se tornar um ser ativo, eticamente respons\u00e1vel e minimamente conformado com os ideais comuns. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>STORK, Ricardo Yepes; ECHEVARR\u00cdA, Javier A. <strong><em>Fundamentos de antropologia:<\/em> Um ideal de excel\u00eancia humana<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia e Ci\u00eancia \u201cRaimundo L\u00falio\u201d (Ramon Llull), 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>DALRYMPLE, Theodore. <strong>A vida na sarjeta \u2013 O c\u00edrculo vicioso da mis\u00e9ria moral<\/strong>. 1. Ed. \u2013 S\u00e3o Paulo: \u00c9 Realiza\u00e7\u00f5es Ed., 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dificilmente admitimos o erro e quando o fazemos, geralmente d\u00f3i. 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