{"id":1077,"date":"2019-04-12T12:51:55","date_gmt":"2019-04-12T12:51:55","guid":{"rendered":"https:\/\/admethics.com\/?p=1077"},"modified":"2021-02-23T21:01:12","modified_gmt":"2021-02-24T00:01:12","slug":"commented-summary-of-the-text-moral-psychology-by-flavio-williges","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.admethics.com\/br\/commented-summary-of-the-text-moral-psychology-by-flavio-williges\/2019\/","title":{"rendered":"Resumo comentado do texto &#8220;Psicologia moral&#8221; de Flavio Williges"},"content":{"rendered":"\n<p>\nO texto \u201cPsicologia moral\u201d de Flavio Williges tenta trazer poss\u00edveis respostas para quest\u00f5es pertinentes a Psicologia moral, \u00e1rea da \u00c9tica que busca estudar quais os determinantes e fatores psicol\u00f3gicos do comportamento moral. Parte do pressuposto que os padr\u00f5es morais possuem for\u00e7a normativa e deixam tra\u00e7os psicol\u00f3gicos que ap\u00f3s serem interiorizados deixam padr\u00f5es psicol\u00f3gicos espec\u00edficos. O autor disserta sobre os seguintes t\u00f3picos: O que nos motiva a agir moralmente?; Qual a rela\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es com o comportamento moral?; qual a rela\u00e7\u00e3o entre felicidade com a moralidade?; o que \u00e9 o car\u00e1ter e o que s\u00e3o as virtudes e como ambos influem nos padr\u00f5es psicol\u00f3gicos relacionados a moralidade?; existem diferen\u00e7as no desenvolvimento do racioc\u00ednio e no tipo de avalia\u00e7\u00e3o moral de homens e mulheres; e a rela\u00e7\u00e3o da identidade com o comportamento moral.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dois conceitos de moralidade que traz o autor. Um primeiro que estuda os comportamentos espec\u00edficos associados \u00e0 moralidade como vinculados a um sistema racional ou normativo baseados em princ\u00edpios do dever ou obriga\u00e7\u00f5es. O outro analisa quest\u00f5es como por exemplo que tipo de vida viver, que tipo de pessoa ser; que vida vale a pena ser vivida?; que tra\u00e7os do car\u00e1ter necess\u00e1rios para a felicidade humana? Ou seja, segundo autores como Taylor, h\u00e1 dois padr\u00f5es de abordagem da \u00e9tica: uma centrada na a\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria ou boa conduta e uma naquilo que \u00e9 bom ser. Ao meu ver, ambos devem se complementarem: com o uso da l\u00f3gica an\u00e1litica descobrir quais princ\u00edpios e formas de agir s\u00e3o os mais corretos, em harmonia com a realidade, junto do trabalho de desenvolver o seu car\u00e1ter e virtudes, fazendo da vida ter um significado maior e se utilizando de uma racionalidade substantiva e n\u00e3o puramente instrumental. <\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o problema de o que nos motivaria a sermos morais, o autor traz tr\u00eas doutrinas diferentes: a instrumentalista que cr\u00ea que as pessoas s\u00e3o motivadas quando elas formam cren\u00e7as de como corresponder a desejos preexistentes. A doutrina cognitivista da a\u00e7\u00e3o moral, que v\u00ea o desejo somente como um est\u00edmulo a a\u00e7\u00e3o, por entender-lo como algo que gera um impulso comportamental, sendo este impulso algo que n\u00e3o pode ser a fonte da considera\u00e7\u00e3o moral. Para o cognitivista, a motiva\u00e7\u00e3o moral come\u00e7a com um conte\u00fado cognitivo (cren\u00e7a ou pensamento) sobre quais a\u00e7\u00f5es s\u00e3o as corretas. J\u00e1 quem segue a doutrina sentimentalista defende que a a\u00e7\u00e3o moral deve ser impulsionada por certas emo\u00e7\u00f5es. O autor tamb\u00e9m traz um problema para as cren\u00e7as que d\u00e3o \u00eanfase no papel da cogni\u00e7\u00e3o e da cren\u00e7a na a\u00e7\u00e3o moral, que \u00e9 quando o agente diverge de suas cren\u00e7as morais na hora de agir, chamado pelos gregos de <em>akrasia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No tocante \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, &nbsp;Willigies traz argumentos de outros autores que mostram que as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o indissoci\u00e1veis de ju\u00edzos de censura moral, dando \u00eanfase nas emo\u00e7\u00f5es reativas, e que defendem que elas que realmente justificam e d\u00e3o o teor moral das avalia\u00e7\u00f5es morais que fazemos. <\/p>\n\n\n\n<p>Depois, o autor traz algumas problem\u00e1ticas das diferen\u00e7as entre g\u00eaneros, partindo da premissa de que se h\u00e1 diferen\u00e7as f\u00edsicas entre homens e mulheres, poderiam haver diferen\u00e7as psicol\u00f3gicas na maneira de lidar com quest\u00f5es morais? Para tentar trazer respostas \u00e0 quest\u00e3o, Willigies traz a teoria do desenvolvimento moral de Lawrence Kohlberg, que teorizou sobre os est\u00e1gios do desenvolvimento moral e fez estudos onde apresentava dilemas morais a crian\u00e7as e as entrevistava tentando descobrir se elas percebiam que haviam valores morais em jogo. Em um destes dilemas, um personagem chamado Heinz necessita de um rem\u00e9dio para dar a sua mulher que est\u00e1 morrendo por causa de um c\u00e2ncer e por o farmac\u00eautico estar cobrando um valor demasiadamente alto, decide invadir a loja dele e roubar o rem\u00e9dio para sua esposa. O autor do texto afirma que Kohlberg notou diferen\u00e7as na forma como meninos e meninas resolviam o problema e trouxe o exemplo do menino Jake, de onze anos, que disse que o marido deveria roubar o medicamento. J\u00e1 Amy, tamb\u00e9m de onze anos, afirmou que Heinz deveria usar outros m\u00e9todos para conseguir o rem\u00e9dio, como fazer um empr\u00e9stimo e que roubando-o poderia ser preso e n\u00e3o poder mais ajudar a sua esposa caso ela adoecesse novamente. Na avalia\u00e7\u00e3o de Kohlberg, a maneira de Jake responder o dilema est\u00e1 em um est\u00e1gio mais avan\u00e7ado do de Amy, o que lhe rendeu algumas cr\u00edticas, como a da professora Carol Gilligan, que v\u00ea a \u00e9tica de Amy n\u00e3o inferior a de Jake, mas somente diferente. Jake tem uma \u00e9tica mas pautada em princ\u00edpios universais, como o de justi\u00e7a e Amy uma \u00e9tica mais voltada no trato com as rela\u00e7\u00f5es. H\u00e1 tamb\u00e9m estudos mais recentes que apontam que nossos la\u00e7os de cuidado e preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o separados da justi\u00e7a (Willigies, 2013). A respeito da quest\u00e3o central, se h\u00e1 uma diferen\u00e7a na psicologia moral de homens e mulheres, me abstenho de dar uma resposta em definitivo, por\u00e9m, tenho a tend\u00eancia de crer ser algo que parte mais de cada indiv\u00edduo do que algo que venha ser causado por diferen\u00e7as biol\u00f3gicas de cada g\u00eanero, apesar de reconhecer que possa haver a possibilidade de tais diferen\u00e7as influ\u00edrem na constitui\u00e7\u00e3o da psicologia moral de cada um.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 sobre o car\u00e1ter e a psicologia moral, o autor afirma que os defensores das \u00e9tica das virtudes, v\u00eam estas juntamente do car\u00e1ter como centrais na \u00e9tica. O autor descreve virtudes e car\u00e1ter respectivamente como: &nbsp;\u201ctra\u00e7os caracter\u00edsticos do que \u00e9 bom ser e fundam o car\u00e1ter moral. O car\u00e1ter s\u00e3o tra\u00e7os morais persistentes, que se manifestam no comportamento intersubjetivo e s\u00e3o reconhecidos ou valorizados no interior de um determinado grupo ou comunidade moral\u201d. Willigies traz autores, como Merritt, Doris e Harman (2010), que defendem que experimentos fornecem evid\u00eancia que o comportamento preocupado com consequ\u00eancias das a\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o envolvidos conceitos como o do car\u00e1ter, mas que \u00e9 algo mais situacional, sendo as pessoas influenciadas por motivos de pouca signific\u00e2ncia a realizarem a\u00e7\u00f5es boas ou m\u00e1s. Apesar de n\u00e3o ter argumentos para fundamentar uma cr\u00edtica direta a tais experimentos, ao meu ver a virtudes s\u00f3 podem ser demonstradas em situa\u00e7\u00f5es que nos desafiam a sermos virtuosos, n\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es normais.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a felicidade o autor traz argumentos que demonstram que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre felicidade &#8211; como emo\u00e7\u00f5es positivas em geral &#8211; gerando condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para boas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, sobre o \u201ceu moral\u201d, Willigies parte da teoria do fil\u00f3sofo ingl\u00eas Bernard Williams, que argumenta haver um efeito de separar do \u201cagente moral dos interesses e compromissos que forma a estrutura real da sua vida individual\u201d, causado por estas formas de motiva\u00e7\u00e3o impessoal. Williams sustenta que \u00e9 necess\u00e1ria uma identifica\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos com as atitudes motivadoras que estes est\u00e3p sujeitos. Ele defende a import\u00e2ncia de uma projeto fundante que d\u00e1 dire\u00e7\u00e3o para a vida e definem aquilo que pode ser feito e nesse pano de fundo est\u00e3o as a\u00e7\u00f5es morais como uma imposi\u00e7\u00e3o pessoal, pr\u00f3prias do sujeito.<br><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancia:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>WILLIGES, Flavio. Psicologia moral. JC Brum torres, Manual de \u00e9tica, Vozes. Petr\u00f3polis, p. 173-200, 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto \u201cPsicologia moral\u201d de Flavio Williges tenta trazer poss\u00edveis respostas para quest\u00f5es pertinentes a Psicologia moral, \u00e1rea da \u00c9tica que busca estudar quais os determinantes e fatores psicol\u00f3gicos do comportamento moral. Parte do pressuposto que os padr\u00f5es morais possuem for\u00e7a normativa e deixam tra\u00e7os psicol\u00f3gicos que ap\u00f3s serem interiorizados deixam padr\u00f5es psicol\u00f3gicos espec\u00edficos. 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